00:05Braga, começo do ano, a Bolsa Brasileira passou por um rali, ela quase chegou aos 200 mil pontos.
00:14Agora, no momento que a gente está gravando, a Bolsa caiu, baixou dos 180 mil pontos,
00:20uma parte do fluxo estrangeiro que veio nesse começo do ano foi embora,
00:26e existem até análises que dizem que sem a Petrobras a Bolsa já estaria negativa.
00:33Tu queria saber de você o seguinte, você está otimista ou pessimista com a Bolsa Brasileira?
00:41Bem diferente do consenso, Ralf, eu estou super otimista com a Bolsa.
00:45Eu acho que a gente está no começo de um excelente ciclo para o investimento em empresas domésticas brasileiras.
00:51E a minha tese, obviamente ela é super longa, mas ela se baseia em dois grandes pontos,
00:57dois principais pontos que explicam a posição do ciclo que a gente está.
01:00A primeira parte é uma parte relacionada a fluxos.
01:04No final do dia, tudo é fluxo, de onde para onde vai o dinheiro, de onde vai o dinheiro,
01:08por que o dinheiro miga de um lugar para o outro.
01:11E nos últimos 17 anos, e sem exagero é esse período mesmo,
01:16porque indo até antes disso, como eu falei, de 2002, meados de 2002, até meados de 2008,
01:22o lugar para estar onde o fluxo estava vindo era para cá, era para cá, para a China, para mercados
01:27emergentes.
01:27O mercado brasileiro, a gente ouve muita gente falar hoje em dia que Bolsa Brasileira é ruim,
01:32bom é renda fixa no Brasil e Bolsa é bom é nos Estados Unidos.
01:35Na verdade, a pessoa que não estava na Bolsa Brasileira e estava na Bolsa Americana de meados de 2002 a
01:41meados de 2008,
01:42perdeu um rally, a nossa Bolsa andou em dólar para comprar a mesma moeda,
01:47o que andou o S&P mais mil por cento.
01:50Foi uma performance estelar da nossa Bolsa.
01:54O problema é que de 2009 para cá, tudo aconteceu no exato inverso.
02:00Foram narrativas a narrativas, fatos de fatos, um atrás do outro,
02:06que fizeram com que o fluxo fosse para os Estados Unidos e com razão.
02:09Você pega desde, para citar alguns exemplos, 2009, mais ou menos ali,
02:12você teve a invenção de um negócio chamado Apple Store.
02:15Todo mundo tem um celular em casa, sabe.
02:18Olha que coisa brilhante, você botou o mundo inteiro para programar para a empresa chamada Apple
02:22e ele ficava com 30% da receita disso tudo.
02:24Isso é algo extremamente brilhante.
02:25Tiveram várias outras, em 2015, juros real zero lá.
02:28Em 2016, o Trump é eleito e ele reduz impostos corporativos, ele reduz burocracias.
02:34Os cheques do Covid, AI, o excepcionalismo americano.
02:39Enfim, foram várias coisas que se eu e você, Ralf, se nós dois,
02:43fôssemos alocadores de recursos, não aqui na Faria Lima,
02:46mas lá na Park Avenue com a 58, a gente não ia falar de Brasil.
02:51Mas também não ia falar de Europa, de China, de nada.
02:54A gente só ia falar de Estados Unidos e corretamente.
02:58Agora, todo mundo, todo mundo fez isso ao longo desses últimos 17 anos.
03:03Então, está todo mundo extremamente sobrecomprado em Estados Unidos.
03:10Ou seja, o fluxo foi todo para lá.
03:12Saiu todo daqui, saiu todo da China, saiu da Europa.
03:15E, de repente, em final de 2024, a gente tem uma novidade.
03:20Depois de toda essa diferença de valuation, tudo isso, o Trump é eleito.
03:25E não importa se você gosta ou não do Trump.
03:28O jeito que ele trabalha, o jeito que ele opera, adiciona incerteza, adiciona volatilidade.
03:35É o jeito dele negociar.
03:36Ele vai lá, coloca uma tarifa.
03:38Depois ele vai lá e tira.
03:39Depois ele fala que não gosta do Lula.
03:40Depois ele fala que sentiu uma química.
03:42Depois ele joga um míciozinho ali.
03:44Depois ele faz isso aqui.
03:45Depois ele faz aquilo lá.
03:47Está no livro dele.
03:48É o jeito que ele negocia.
03:49E investidor gosta de incerteza?
03:51Não gosta.
03:52Agora volta a gente lá na locação, lá na Park Avenue.
03:56A gente ficou 17 anos só concentrando nosso dinheiro lá.
03:58Todo mundo, o mundo inteiro fez isso.
04:00Super concentrado nos Estados Unidos.
04:01E você tem essa novidade.
04:03O que você pensa?
04:05Será que faz sentido estar tão sobrecomprado, tão overweight, como a gente fala no mercado,
04:09nos Estados Unidos?
04:10Ou eu deveria diversificar um pouquinho?
04:12Outra coisa.
04:14AI.
04:14AI disruptando vários setores.
04:17Você pensando.
04:18Pô, eu vou ter uma empresa de software que pode acabar por causa de AI?
04:21Eu vou ter não sei o que lá.
04:22Que país que infelizmente não tem risco de ser disruptado por AI?
04:26O Brasil.
04:26Porque a gente não tem muita coisa de tecnologia nas nossas bolsas.
04:29Ele olha, olha que interessante.
04:30Pode até ser um movimento de defesa.
04:33Ou seja, é uma série de fatores que faz o alocador global pensar.
04:41E aí vem a minha teoria da piscina olímpica.
04:43O que que é essa teoria assim?
04:45É uma moedinha que estão dando para o Brasil?
04:49Pode ser.
04:50A minha teoria da piscina olímpica é super simples.
04:53Imagina uma piscina olímpica, Ralf, gigantona, cheia de água.
04:57Aí você tira cinco baldes dessa piscina olímpica e bota aqui do lado.
05:01Se você olhar para a piscina olímpica, não mudou nada.
05:03A piscina olímpica é um mercado americano.
05:06Agora você pega cinco baldes de água e jogam numa banheirinha chamada Brasil.
05:11Vai voar água para todo lado.
05:13É meio que isso.
05:13Pouco fluxo faz muita diferença para a gente.
05:16E foi o que a gente já começou a ver no ano passado.
05:19No ano passado a bolsa subiu 32%.
05:21A gente subiu mais que isso.
05:21A gente subiu uns 40%.
05:24Por quê?
05:25O cara que entrou foi o cara que já estava com o trabalho feito, preparado, pronto.
05:31Ele viu a oportunidade.
05:32No final de 2024 a nossa bolsa despencou por causa do problema com a data.
05:35A gente teve lá no pacote dele.
05:37O anúncio dos cinco mil reais de isenção.
05:39A bolsa despencou.
05:39Ele já estava com o trabalho pronto.
05:40Já queria diversificar por causa do Trump.
05:42Colocou.
05:42A bolsa foi super bem.
05:45Começo desse ano em janeiro a gente viu aquele fluxo gigantesco no índice.
05:48Essa foi a segunda onda do fluxo.
05:51Que foi o que a gente chama de smart money.
05:53Aquele cara que pensa eu preciso diversificar rápido.
05:56Não importa a empresa e tal.
05:57Eu vou comprar o Ibovespa mesmo.
05:59Eu vou comprar o índice de mercados emergentes.
06:02Esse 5% vai lá para o Brasil.
06:03Este cara.
06:04Esse foi o fluxo de janeiro até o começo da guerra.
06:05Mas esse fluxo não está indo embora agora?
06:08Está.
06:08Isso acabou com a guerra.
06:10Porque criou-se uma incerteza em relação ao mundo.
06:14E de fato que se continua por muito tempo com o hormônio fechado de fato.
06:21Tudo que eu estou falando pode mudar.
06:22Mas como a bolsa se sustenta sem esse fluxo, Braga?
06:26Pois é.
06:26A minha teoria é que desde setembro mais ou menos eu tenho visto uma turma nova vindo
06:33para o Brasil.
06:34Vindo na encorca, vai passar comigo.
06:37Que é uma turma que está fazendo o trabalho.
06:41Um pessoal que já veio para o Brasil, mas saiu ou nunca esteve.
06:44E está entendendo essa história do mundo.
06:45Está querendo diversificar e está estudando.
06:47Eu acho que se a gente melhora um pouco o cenário de inflação, de juros, por causa da história
06:54de hormônio fechado e por causa disso tudo.
06:57Esta é a terceira onda.
06:59É o cara que está estudando.
07:01E essa turma, imagina essa turma que estava estudando antes da guerra pensando.
07:07Hum, o trompeto de sonovolatidade.
07:09Eu já quero fazer isso de certa forma.
07:11Existe um risco geopolítico.
07:12O risco se concretizou.
07:15Então, quando melhorar, eu acho que esse fluxo não só vem, como vem exacerbado.
07:19E vem nessa terceira onda.
07:21Que é a turma que vai estudar e vai investir no gestor local, vai investir nas empresas
07:25domésticas e não simplesmente no índice.
07:28E essa terceira onda, todas as vezes que aconteceu, e foram várias nos ciclos que a gente já
07:32acompanhou na história, ela é a melhor.
07:34Ela é duradoura.
07:35Ela não é de uma vez, como foi em janeiro, do Smart Money.
07:38Ela é pouco e sempre e por anos.
07:41Eu acho que isso vai acontecer.
07:42Mas tudo remete ao call inicial, que é a diversificação para fora dos Estados Unidos,
07:47por causa dessa super concentração que aconteceu por lá.
07:51O Braga, você deve conhecer uma frase do Warren Buffett que diz, nunca aposte contra
07:57os Estados Unidos.
08:00Essa não é uma aposta contra os Estados Unidos.
08:02Essa é uma diminuição de uma aposta gigantesca nos Estados Unidos.
08:06Eles vão continuar lá.
08:07Vão continuar muito felizes.
08:08Vão continuar ganhando muito dinheiro lá.
08:09O que estava errado era não ter nada ex dos Estados Unidos.
08:13Poucos anos atrás, três anos atrás, a Incor hoje, 80% dos nossos clientes são estrangeiros.
08:19Então, eu tenho muito contato com estrangeiros.
08:20Três anos atrás, os meus clientes estrangeiros me contavam que eles consideravam a China não
08:25investível, era zero, não queria ter nada.
08:28Isso também está errado.
08:29O mercado cria essas oportunidades, que são os ciclos.
08:33E essa é uma ponta que eu acho excelente, que é o início de um ciclo bom, vindo novamente
08:37por causa do primeiro ponto, que é o fluxo vindo.
08:40E de um segundo ponto, que é nosso nível de juros.
08:44Que antes desses pequenos cortes, era o maior juros dos últimos 20 anos.
08:50Isso que eu ia te perguntar, qual que é o papel dos juros para essa terceira onda
08:55que você está comentando comigo?
08:56É fundamental, infelizmente, porque isso adiciona um grau de incerteza.
08:59Mas a gente pode interpretar o juro como sendo a gravidade dos preços.
09:03Se ele está muito alto, ele puxa os preços para baixo.
09:05Se ele cai, ele solta os preços.
09:07E a gente está, obviamente, a gente acompanha os ciclos, a gente está no pior momento dos
09:12últimos 20 anos.
09:12A gente tem dois cortes aí, foi para 14,50.
09:17No começo do ano, eu achava que essa tese de juros estava maravilhosa, porque já
09:20estava vendo a economia IBK, já estava vendo dados tanto macro quanto nas empresas que
09:24eu cubro, uma desaceleração que justificaria um corte de juros grande, porque, querendo
09:31ou não, a gente estava vendo ali uma inflação caminhando para 3%, com um juro nominal de
09:3615%, 12% de juros real exante, não faz o menor sentido.
09:40Então, a gente estava super otimista com essa queda de juros.
09:43isso mudou um pouco, porque com as incertezas vindas da guerra, com o petróleo para cima,
09:47com o fertilizante para cima, a gente já tem visto a inflação subir.
09:51Você pega o INCC, está rodando mais ou menos, o que é a inflação da construção civil,
09:55está rodando por volta de uns 10% já, agora.
09:59Eu estou com uma tese não muito otimista para agro e uma das consequências é a inflação
10:05de alimentos, que vai subir ao longo do ano.
10:07Então, de fato, você tem um problema de inflação.
10:10Só que não é deixando juros altos que você reabre o Hormuz.
10:15Isso é um choque.
10:17E agora pensa comigo, você tem um choque que está causando um problema para as empresas
10:22e tudo isso, que cria, que causa um conceito que a gente chama de destruição de demanda.
10:27Você está tendo que gastar mais com gasolina, você gasta menos com outras coisas.
10:30Aí você vai e deixa juros altos?
10:33Eu acho que chega a ser cruel com essas empresas, porque juros altos não vai reabrir o Hormuz.
10:37Então, o que eu acho que acontece é que o colo do juros para baixo, ele é postergado,
10:45porque realmente está tendo uma situação.
10:47Só que ele é até ampliado, porque a economia, de certa forma, vai emburacar ainda mais.
10:52O nosso Banco Central é um dos poucos bancos centrais do mundo que só tem meta de inflação.
10:57Geralmente tem duas metas, inflação e desemprego, inflação e economia.
11:00Eu acho que se a gente tivesse duas metas aqui, eu estaria mais enfático ainda em uma queda grande de
11:06juros.
11:07Como não é, eu ainda acho que a tese de juros, de a gente estar em um ponto super alto
11:12e que vai diminuir,
11:14vai ser muito positiva para a Bolsa.
11:16Só foi um pouco postergado.
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