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1961 é uma série documental sobre a crise política após a renúncia de Jânio Quadros, a tentativa de impedir a posse de João Goulart e a adoção do parlamentarismo como solução para evitar a ruptura constitucional e garantir a posse de Jango.
Transcrição
00:28A CIDADE NO BRASIL
00:30A CIDADE NO BRASIL
01:11A CIDADE NO BRASIL
01:27A 25 de agosto de 1961 em Brasília, celebra-se com toda a pompa militar o Dia do Soldado.
01:35Presidente Johnny Quadros, presente à cerimônia, pouco tempo depois, renunciava ao poder, deixando a nação traumatizada.
01:45Imediatamente após o conhecimento do ato do presidente, o deputado Ranieri Masili foi empossado.
01:51Perplexo, o povo brasileiro passou a participar dos acontecimentos históricos definitivos que se desenrolavam em Brasília e no Rio Grande
02:01do Sul.
02:02O Estado Sulino levantou-se em defesa da legalidade.
02:06O vice-presidente que se encontrava em missão diplomática na China continental é chamado com urgência ao Brasil,
02:12enquanto no Rio Grande do Sul organiza-se o movimento de resistência em favor de sua investidura como primeiro mandatário
02:20da nação.
02:20Durante aqueles dias e noites de preocupações e incertezas, o Congresso discutia a emenda à Constituição em sucessivas sessões que
02:30se prolongavam noite adentro.
02:45O que aconteceu foi uma espécie de trailer ou, digamos, um ensaio teatral do golpe de 64.
02:56São os mesmos personagens, os mesmos protagonistas tentaram a mesma coisa.
03:03O Brizola, então, desencadeia a resistência.
03:06Era um processo de guerra, tinha mobilização popular.
03:1120 ou 30 mil pessoas junto à praça do palácio, palácio-governo do Rio Grande do Sul.
03:17O Brizola distribuiu armas e munição para todos aqueles que se apresentavam como voluntários.
03:27Vem uma ordem de bombardeio ao palácio.
03:29E a situação estava armada para um conflito.
03:35Seria uma chacina.
03:36E por isso que a gente diz que a renúncia do Jânio quase leva o país a uma guerra civil.
04:11Jânio Quadros
04:18Naquele momento já havia uma campanha muito grande contra o governo de Juscelino na base da luta contra a corrupção.
04:25Corrupção administrativa, corrupção privada, pura e simples, que incluiu até a UDN, que se dizia o partido da pureza de
04:38princípios, etc.
04:40Uma falsa luta contra a corrupção.
04:42Porque na história brasileira, sempre que tem um presidente que de uma ou de outra forma, mais ou menos ligado
04:48ao movimento democrático e da soberania nacional, eles vêm com essa história de corrupção.
04:53Isso aconteceu com Getúlio Vargas, aconteceu com Juscelino na continuidade, aconteceu com Jango, aconteceu com Lula e com a Dilma.
05:02Ele não era contra a corrupção, numa posição altiva, de pureza dos princípios, não.
05:10Ele falava diretamente para o povo.
05:14Tinha a tal do avassourinha, que ele dizia que ia varrer a corrupção do Brasil.
05:26Jango Quadros
05:27Varre, varre, varre, varre, varre, varre, varre passourinha.
05:32Varre, varre a bandanheira.
05:35O povo já está cansado de sofrer dessa maneira.
05:42Jango Quadros é a esperança desse povo abandonado.
05:46Jânio Quadros é a certeza de um Brasil moralizado.
05:51Alerta, meu irmão, vassoura conterrâneo.
05:55Vamos vencer com Jânio.
06:01Aquilo dele tirar uma nota do equivalente a dois, três reais de hoje do bolso e dizer
06:08olha, eu sou um professor, olha o que me sobrou para a passagem do ônibus.
06:14E, por incrível que pareça, ele conseguia o apoio popular.
06:33Os que têm contas ajustar com a coletividade, aqueles que a enganam, que a exploram, que
06:41já furtam, preparem-se para a prestação.
06:47E ele desenvolveu um modo, digamos, o chacrinha na política que conseguia se comunicar e passar
07:00uma imagem de que ele estava do lado do povo e resolveu os problemas do povo, mas tratava
07:10o povo com desprezo.
07:13Eu lembro de uma das suas principais afirmações.
07:19O verdadeiro Estado de Direito é o Estado das elites.
07:25Ou seja, ele encampava uma tese comum às oligarquias, aos grupos dominantes no Brasil
07:34desde sempre. O povo não sabe votar, o povo é facilmente manipulável, influenciável e tinha
07:44o lado do filo por que quilo, ou seja, daquele rigor gramatical, daquele palavreado, empolado,
07:55etc., como um professor.
07:58Eu achava uma figura meio estranha. Não sei porquê, mas eu achava uma figura muito diferente
08:05de tudo que eu estava vendo ali. Nem conheci, nem tive vontade também de conhecer. Não sei
08:10porquê, mas não tive vontade de conhecer.
08:13Jânio Quadros, até hoje, é considerado um personagem com aspectos incógnitos, que ninguém
08:23sabe explicar muito bem.
08:25É um desajustado mental.
08:33Impensável.
08:35Afonso Arino Gimelo Franco declarou Jânio Quadros é a UDN de PORRE.
08:46Posso responder a eventuais perguntas?
09:11E Lacerda fez a campanha do Jânio. Certamente foi fiador da candidatura de Jânio Quadros para
09:22a sucessão de Juscelino Kubitschek. Carlos Lacerda tinha um apoio muito grande na classe
09:29média, principalmente a classe média católica. E Carlos Lacerda e boa parte da UDN, a União
09:39Democrática Nacional, estavam convencidos de que só com recurso a uma campanha popular
09:49popular e populista, no estilo de Jânio Quadros, que eles poderiam ganhar as eleições.
09:59Então, Carlos Lacerda, embora tivesse críticas fortes e certeiras ao estilo político de Jânio Quadros,
10:10Jânio Quadros abraçou a campanha e ele é considerado o grande artífice da vitória de Jânio Quadros.
10:18O Jânio, ele foi o candidato de oposição a Juscelino Kubitschek. Juscelino faz um governo democrático,
10:25inaugura Brasília, mas não só isso, dá andamento a um processo de desenvolvimento do país,
10:30cria rodovias, cria o processo de industrialização do país, toma uma medida corajosa em relação
10:38às dívidas externas do Brasil com o Fundo Monetário Internacional.
10:41O Juscelino tinha deixado uma bumba de retardamento, que era a inflação. Ele foi um grande presidente,
10:48mas ele quebrou o país.
10:51Com o apoio do Juscelino, das forças democráticas, inclusive de esquerda, tem o apoio ao general Lott.
10:57O general Lott, ele ganhou um prestígio muito grande, porque ele foi uma pessoa que jogou
11:01um papel fundamental para impedir o golpe contra o presidente Juscelino Kubitschek.
11:11Música
11:14Brasileiros, sempre unidos, lutaremos pelo nosso ideal.
11:21Seguiremos, marcharemos, ao lado do bravo Marechal.
11:28Com amor, com ardor, defendeu a democracia nacional.
11:49É interessante a composição dessa chapa
11:54Lembrando que naquela época era possível ter uma chapa
12:00Não necessariamente do mesmo partido ou da mesma aliança
12:05Só depois é que houve uma modificação obrigando uma chapa pura
12:12Jânio viu claramente que Milton Campos não atrairia o voto popular
12:22O Milton Campos tinha horror daquele lado populista grotesco do Jânio
12:30A questão da caspa, a questão de tirar um sanduíche de mortadela do bolso
12:36E dizer que era o jantar dele, esse tipo de coisa
12:41Mas o Jânio sabia que para ele ter o apoio na classe operária
12:47No movimento sindical e no povo getulista
12:51Jango era a melhor candidatura
12:54E como ele considerava que Jango era um bobão em matéria política
12:59Que não tinha experiência nenhuma e tal
13:02Ele achava que ele poderia tratar muito bem
13:07E manipular o seu vice à vontade
13:11O Jânio não podia ser mais diferente do Jango
13:16João Goulart em primeiro lugar vinha como um herdeiro do Getúlio
13:23Era extremamente próximo, também estanciero no sul
13:28Acharam o João Goulart, que era um fazendeiro no Rio Grande do Sul, de comunista
13:33Dizer, bom, o caso de um estanciero comunista é interessante, né?
13:41Eu convivi muito com ele
13:42Era um homem muito afável e aceitava muito o que as pessoas diziam
13:48Ele se aconselhava muito com as pessoas
13:50O que o Brizola criticava dizia
13:53O Jango eu conheço bem
13:55A última pessoa que falaram com o Jango o influencia
13:58Então foi possível essa chapa inacreditável de Jânio com o Jango
14:07Espalhe a senha da vitória para um Brasil melhor
14:11Jân, Jân
14:13O povo quer
14:14O povo é paz
14:16Na infernal do Bratinho
14:19A gente
14:20Nessa campanha sou mero soldado do povo
14:23Porque dele recebia os símbolos
14:26Dele recebia as armas
14:28Dele recebia a coragem
14:30A inspiração
14:32E a voz de comando
14:33Mesmo que não explicitamente
14:38Ele fez tudo para solidificar a campanha
14:43E o Jango acabou tendo mais voto ainda
14:48Do que teve na campanha do Juscelino
15:01Na hora de votar
15:03A nossa escola vai jantar
15:05É o Jango, é o Jango, é o Jango, é o Jango
15:10Pra mim que presidente
15:11Os campistas vão jantar
15:14É o Jango, é o Jango, é o Jango, é o Jango
15:22Jangar é muito mais do que votar
15:25Jangar é votar em Jango
15:28É Jango, é Jango, é João do Lar
15:33Jango, é o Jango, é o Jango, é o Jango
15:38Chegou a hora da onça beber água
15:42Não guardem ódio, não guardem mágoa
15:46Estamos todos juntos, minha gente
15:49Destejar o novo presidente
15:53Chegou a hora da onça beber água
15:57Não guardem ódio, não guardem mágoa
16:02Vamos todos juntos, minha gente
16:05Destejar o novo presidente
16:10Barre, barre, barre da sorinha
16:13Barre do Amazonas ao juízo
16:17Barre se ficaram com o cistinho
16:20Piu, piu, piu, piu
16:22O pintinho vem aí
16:24Chegou a hora da onça beber água
16:28Não guardem ódio, não guardem mágoa
16:32Vamos todos juntos, minha gente
16:36Destejar o novo presidente
16:39Chegou a hora da onça beber água
16:44Não guardem ódio, não guardem mágoa
16:48Vamos todos juntos, minha gente
16:52Destejar o novo presidente
16:56Barre, barre, barre da sorinha
17:00Barre com as donas ao juízo
17:04Barre se ficaram com o cistinho
17:06Piu, piu, piu, piu
17:08O pintinho vem aí
17:12Barre, barre, barre da sorinha
17:15Barre com as donas ao juízo
17:19Barre se ficaram com o cistinho
17:22Piu, piu, piu, piu, piu
17:24O pintinho vem aí
17:26Não guardem ódio
17:28Não guardem mágoa
17:35Tenho a honra de passar as mãos
17:37Vossa excelência
17:38O comando da república
17:41Para o salto excunido pela maioria do povo brasileiro
17:56Percebo nesta extensão de vossas mãos
17:59A faixa simbólica do governo de nossa paz
18:06Percebo a confusão de noção
18:09Porque tenho consciência do verdadeiro sentido implícito
18:14Na sigileza desta cerimônia
18:17Percebo-a, não pelas minhas forças
18:21Nem eu sei
18:22Mas pelo império da lei
18:25Expressão permanente e invencível
18:32E o governo dele é um governo conservador
18:36Na economia
18:38Nos direitos sociais
18:40Na política, etc
18:41Mas contraditoriamente
18:44Na política internacional
18:45Ele tem uma posição progressista
18:47Tem uma posição avançada
18:49Estabelece relação comercial com a China
18:52Ele então inaugurou uma política externa
18:55Que ele chamava independente
18:56Mas você sabe
18:57O conceito de independente
18:59É sempre em relação a alguma coisa
19:02Você é independente em que sentido
19:04Em relação a alguém
19:06Em relação a alguma coisa
19:07Para nós, independência
19:09Significa ser
19:11Não seguir a liderança americana
19:13E naquele tempo
19:15O grande tema americano
19:17No Brasil e na América Latina
19:19Era Cuba
19:19Era a Revolução Cubana
19:21Que tinha chegado ao poder pouco antes
19:24Em 59
19:25Ainda não estava claro
19:27O Fidel Castro
19:28Só se declarou
19:29Marxista-leninista
19:31Em definitivo
19:33No mês de dezembro daquele ano
19:36Mas até então
19:37Era um pouco ambígua
19:39A situação
19:40O Gênio tinha ido a Cuba
19:42Ainda como candidato
19:44Desembarca em Havana
19:45A capital de Cuba
19:46O Sr. Jânio Quadros
19:47Sendo recebido no aeroporto
19:49Por grande massa popular
19:50Fotógrafos
19:51Cinegratistas
19:52E jornalistas
19:53Com o Sr. Jânio
19:55Viajou o grande comitiva
19:56Onde pontificavam
19:57Altos expoentes
19:59Da política nacional
20:05O deputado Jânio Quadros
20:07Entrou de sola
20:08No ritmo cubano
20:10Marcando o compasso
20:11Com segurança
20:17Dirige-se agora
20:18Para a estação
20:19Onde concedeu
20:20A imprensa local
20:20Uma entrevista coletiva
20:22Na qual fez um relato
20:23De suas atividades
20:24Como candidato
20:25A presidência da república
20:32Sua filha
20:33Mais conhecida
20:34Como Tutu
20:35Foi recepcionada
20:36Por jovens
20:36Da sociedade cubana
20:38Que lhe ofertaram
20:39Flores
20:42Outra vez
20:43Os rondeiros
20:44Fazendo sua propaganda
20:45E convidando
20:46Para acompanhá-los
20:47Uma alta personalidade
20:48Brasileira
20:49Que acaba
20:50Entrando no brinquedo
20:51Aí está
20:52O senador
20:53Afonso Arinos
20:56Fidel Castro
20:57Valoroso líder
20:59Revolucionário
20:59De Cuba
21:00Apareceu no aeroporto
21:02Afim de acepcionar
21:02A comitiva
21:03De brasileiros
21:04Em visita
21:05A sua terra
21:05Agora liberta
21:07Do jogo
21:07Ditatorial
21:08De Batista
21:09Jânio e Fidel
21:10Falaram
21:11As rádios
21:11De Cuba
21:14Manteve ainda
21:15O líder cubano
21:16Animado bate-papo
21:17Com elementos
21:17Da comitiva
21:18Nacional
21:22A confraternização
21:24Foi das mais perfeitas
21:25Olhado e admirado
21:27Como um deus
21:28Em Cuba
21:29Fidel tem inspirado
21:30Muita gente
21:31A fazer alguma coisa
21:32Pelos desprotegidos
21:33Pena que os outros
21:35Fiquem apenas
21:36Na inspiração
21:40Foi um sucesso
21:42A visita
21:43Do senhor
21:43Jânio Quadros
21:44A terra da rumba
21:45Dado
21:46Demarcante
21:47Em relação ao governo dele
21:48Foi a conferência
21:50De Punta del Este
21:50A conferência
21:52De Punta del Este
21:53Era uma articulação
21:54Do governo norte-americano
21:56Com os países
21:57Da América Latina
21:58Para afastar Cuba
22:00Da convivência
22:01Latina-americana
22:02E a delegação brasileira
22:04Que o Brizola
22:05Fazia parte
22:06Não aceitou
22:07E aí o Brizola
22:09Teve um papel importante
22:10Nessa história
22:10E isso estabeleceu
22:12Uma relação
22:13Com o Che Guevara
22:14Que estava presente ali
22:15E tinha desancado
22:17Os americanos
22:18Aí o Jânio
22:20No impulso
22:20No momento
22:21O convidou
22:22Para fazer
22:22Uma escala
22:23Em Brasília
22:24Antes de voltar
22:25Para Cuba
22:26E o condecorou
22:28Com a Gran Cruz
22:29Da Ordem
22:29Do Cruzeiro do Sul
22:31Assim
22:31De repente
22:32No momento
22:33Que o Carlos
22:35Lacerda
22:36Estava dando
22:37A chave
22:38Da cidade
22:39Ao chefe
22:39Da oposição
22:40Cubana
22:41O país
22:42Estava pegando fogo
22:43Muito dividido
22:44Muito polarizado
22:45Isso gera
22:47Uma crise tremenda
22:48Não era só por isso
22:50Mas gera uma crise
22:51Que o Carlos
23:35A cerimônia já foi complicada, porque na véspera os oficiais da guarda presidencial
23:43tinham esboçado o movimento de rebelião,
23:47tinham dito que não iam prestar honras militares ao Che Guevara.
23:51E foi preciso a intervenção de vários chefes militares para demovê-los.
23:57Eu estava lá, estava lá na sala, assisti a condecoração e depois acompanhei.
24:04Eu é que levei o Che Guevara a almoçar na casa do prefeito.
24:09Naquele tempo não era governador, prefeito de Brasília.
24:12O que havia em Brasília era quase nada.
24:15Naquele tempo era uma cidade inóspita, parecia um canteiro de obras.
24:21Quando você está no fim da seca, que é agosto, a atmosfera é calcicante, é quase insuportável.
24:27E há uma certa eletricidade no ar, quem não viveu lá não sabe o que é isso, entende?
24:35E havia aqueles redemoinhos que se formavam, que eram chamados de lacerdinha, que era o Carlos da Serra.
24:44Eles diziam que levanta muita sujeira, mas no final não acontece nada.
24:50Então eu fui com o Che Guevara no carro até.
24:53Eu fiquei surpreso, sabe?
24:55Porque eu esperava ver um revolucionário, um guerrilheiro assim desse de meter medo.
25:01E ele era um homem muito ameno, muito abordável, muito agradável.
25:13E essa política externa independente, inclusive lembrando toda a posição de Getúlio em relação
25:26a romper a marras de submissão aos interesses norte-americanos, independente neste sentido.
25:38Mas, ao mesmo tempo, ele renovou com o FMI, Fundo Monetário Internacional,
25:46com o qual o Brasil tinha se distanciado no governo Kubitschek.
25:54Juscelino rompeu com o FMI.
25:58Ou seja, aquela condecoração foi para virar capa de revista no Brasil e no mundo, como
26:06virou no mundo.
26:08O Jânio chegou com um turbilhão.
26:12Uma vitória extraordinária.
26:16Salvo Getúlio, ninguém tinha tido uma votação tão expressiva nos vários colégios
26:21eleitorais passados.
26:24Mas chega já com o ânimo de uma ruptura com os setores dominantes até então, que
26:33eram, de certa maneira, Juscelino e muito ainda do que restava do Getúlio através do PTB
26:43do Juscelino.
26:44Ele chega logo, rigorosamente, atacando o governo do Juscelino pela improbidade, pelos erros políticos,
26:57por incapacidade administrativa.
26:59Ele chega exatamente com esta bandeira imediata.
27:03O discurso dele, antes de assumir, já tinha esta característica.
27:10Automaticamente, ao assumir, ele dá continuidade a esse estilo, abrindo, por decisão dele, inquéritos
27:18administrativos.
27:19E, nessa investigação, estranhamente, várias delas começaram a apontar João Moulin como
27:27sendo uma pessoa incapaz de manter-se no mínimo de compostura honesta, até roubar pequenos
27:36talheres de prata nos jantares.
27:38Quer dizer, uma afirmação que chegava ao estímulo de algo inacreditável.
27:43Isso obrigou, como era compreensível, que João Moulin, de imediato, fizesse uma reunião
27:49no gabinete dele.
27:51Ele era, nessa época, importante notar, presidente do Congresso Nacional.
27:56Então, ofendido de uma maneira brutal, aguardando uma carta que o Júnior, em tese, tinha lhe dito
28:05o que faria, retirando as acusações, eu diria, estúpidas.
28:11Mas não faz.
28:12Essa primeira hostilidade foi para marcar território.
28:17E essa ruptura prossegue, porque, do lado de João Moulin, como é compreensível, não
28:23havia mais o que ter de diálogo minimamente com o texto, depois de tudo que eu estou lajando.
28:29É quando ele começa a armar a ideia de uma viagem do Brasil para negociar com a China.
28:37Uma viagem interessantíssima.
28:40Primeiro para a União Soviética, a Rússia de então.
28:45Era uma delegação de altíssimo nível.
28:48E o João, o presidido, não podia, naquele instante, parecer a ninguém nada, que normalmente
28:55um gesto que, para nós, a esquerda, nos parecia admirável.
29:02Uma abertura nossa em relação à divisão União Soviética-Estados Unidos.
29:08E depois para a China era algo tão estarrecedor para as oligarquias brasileiras que ele precisava
29:19que fosse um político ligado ao movimento popular.
29:24Ele disse, não, olha, vai o vice-presidente, que é quem lida com o movimento operário,
29:32o movimento sindical.
29:34Então, ele vai ser bem recebido na China, como, aliás, foi.
29:47Meus amigos chineses, nestes poucos dias de convívio com o povo chinês e com os seus
29:56dirigentes, pude ver que esta não é a velha China, cheia de lendas e superstições, que
30:04os povos ocidentais encaravam com um misto de vago temor e uma admiração reverencial
30:11pelo desconhecido.
30:16E eu fico limpo.
30:20Eu não me contamino com esses ares comunistas e socialistas.
30:27E aproveitou na ausência de Jango para fortificar ainda mais suas relações com os militares.
30:38E reservou para oficiais militares postos privilegiados nas sindicâncias que ele inaugurou em todos
30:52os estados brasileiros, oficialmente, para enfrentar a corrupção.
30:59E, na realidade, eram oficiais militares que intermediavam as relações do executivo com os governos estaduais.
31:13Lacerda tinha vindo falar com o Jânio, tinha vindo visitar.
31:18Estava irritadíssimo com a política que Jânio vinha criando à esquerda.
31:23Jânio recebe.
31:26Lacerda quer indagações.
31:28Jânio pede que ele tome tempo, que ele converse com Pedro Osorta antes,
31:33porque ele terá informações necessárias para que o diálogo com ele seja o mais amplo.
31:39Lacerda aceita e vai para a casa ou hotel, não me recordo, do Pedro Osorta.
31:47Lá há um desastre total, porque, pelo que narra o Lacerda,
31:51o Pedro Osorta, de certa maneira, confessa que estava sendo convocado para um golpe de estado.
31:59Lacerda volta para o palácio.
32:02Há toda abrida.
32:03Sabe, Deus, como seria o encontro?
32:05Chega no palácio e a porta do palácio está fechada.
32:09Quero dizer, na própria entrada do palácio, a mala do Lacerda estava na rua.
32:15Era o aniversário do suicídio do Getúlio Vargas, 24 de agosto,
32:21que já era uma data de mau agudo.
32:23Nessa noite, o Carlos Lacerda denunciou, na televisão e no rádio,
32:30que havia uma conspiração levada adiante pelo governo
32:35e que ele tinha sido sondado a participar da conspiração pelo ministro da Justiça,
32:42que era o Oscar Pedroso do Horta.
32:45E a conspiração seria para levar o governo a decretar um estado de exceção
32:53e, nesse estado de exceção, mudar a Constituição para aumentar os poderes do presidente.
33:00Fazendo uma reforma constitucional, de maneira estabelecida,
33:04um regime de exceção no Brasil nos termos preconizados
33:07pela campanha que o próprio Carlos Lacerda tinha feito na tribuna da imprensa
33:10no fim do governo do Café Figo.
33:11A proposta do Carlos Lacerda, na época do Café Figo, era golpista.
33:14E a proposta que o Lacerda atribuía ao Jânio e ao Pedro Zorta
33:19era também uma proposta golpista.
33:22A denúncia caiu como uma bomba, né?
33:25E aí explodiu em Brasília, né?
33:28Em Brasília, imediatamente, o Congresso se reuniu
33:31e, à noite, o Congresso decidiu convocar o ministro da Justiça, né?
33:36Então, já a situação estava fervendo.
33:38No dia seguinte de manhã, eu não fui à cerimônia do dia do soldado,
33:46que é o dia do Caxias, né?
33:48O que me telefona um amigo meu, que era também do Itamaraty,
33:53e ele me perguntou, você está de pé ou está sentado?
33:57Eu disse, não, estou de pé.
33:59Então, você senta, porque a notícia que eu vou te dar
34:02é de derrubar qualquer um.
34:04Estou eu no meu gabinete, que era relativamente perto do plenário.
34:09Vias que aí ia acontecer alguma coisa.
34:12Tinha muitos jornalistas, mas eu notei que a maioria não sabia.
34:16Ninguém sabia, né?
34:17E vejo um correrio no corredor, vou, são jornalistas correndo, correndo.
34:23Quem deu o furo mundial da notícia
34:25foi uma pessoa a quem eu contei a história, o D'Alembert Jacu,
34:30um correspondente da prensa latina,
34:32que era a agência cubana no Brasil.
34:35Jânio renunciou, exatamente, Jânio renunciou.
34:39Como, como, Jânio, como?
34:41Corri também para o plenário.
34:47E atenção, atenção, ouvintes.
34:49O senhor Jânio Quadros acaba de renunciar à presidência da República.
34:54O presidente enviou carta ao presidente do Congresso Nacional
34:57comunicando sua decisão de deixar o governo.
34:59O Jânio Quadros renunciou à presidência forçado pelos militares.
35:06Essa é a primeira versão, né?
35:07Estava terminando, praticamente terminando de ser eleito presidente da ONU.
35:11Quando eu ouço na rádio a notícia da renúncia do presidente Jânio Quadros.
35:16Aí pega um avião, vou para o Rio e lá tomo conhecimento que a sede da ONU já estava ocupada.
35:22Quer dizer, a direita já tinha ocupado, tal, e evidentemente eles estavam atrás do presidente da ONU.
35:28Os militares estão constituindo uma junta de governo e as pessoas estão se armando para começar a resistência.
35:37Nessa altura a gente decreta uma greve de solidariedade, que de imediato, a renúncia foi dia 25,
35:45de imediato o Brizola no Rio Grande do Sul desencadeia a resistência da legalidade.
35:50E aí a ONU de imediato também decreta a greve nacional estudantil e lança um manifesto de solidariedade.
35:59O presidente Jânio Quadros surpreendeu a todos com a sua renúncia.
36:02A nossa surpresa no Rio Grande do Sul transformou-se numa reação contra aquele acontecimento.
36:12Admitíamos que ele estava sendo vítima de pressões indevidas de um golpe de Estado.
36:17Até procurei me comunicar com ele e me disse que ele mandava agradecer muito a nossa solidariedade
36:22e o convite que fazíamos para ele ir para o Rio Grande do Sul,
36:25porque nós queríamos organizar a resistência contra esse golpe lá, com a presença dele,
36:29que ele já havia renunciado, que não havia mais nada a fazer.
36:34E eu fui para o Congresso, porque eu tinha lá a minha sala,
36:38e eu fiquei o telefone e eu vi quando começou a agitação.
36:42Enchando com o ministro da Justiça, as razões de meu ato,
36:46renuncio ao mandato de presidente da República.
36:49Forças terríveis levantam-se contra mim e me intrigam ou infamam.
36:55Encerro assim esta página de minha vida e da vida nacional.
37:01Fui vencido pelas forças.
37:03Aí as pessoas perceberam, né?
37:05O meu contemporâneo do 11 de agosto, que era o Almino Afonso,
37:10que era o líder do PTB, ele imediatamente gritou,
37:13é golpe, é golpe!
37:15Uma palavra ao nobre deputado Almino Afonso.
37:19Senhor presidente, o partido trabalhista brasileiro, nesse instante,
37:24fiel às suas tradições democráticas,
37:27não pode aceitar essa renúncia,
37:30senão como um golpe em que o presidente da República
37:34pretenda retornar ao governo,
37:38amparado por forças estranhas,
37:41a maneira que um ditador disfarçado
37:45seja sobre que forma for.
37:47Ele louvava a presença dos militares
37:50absolutamente dignos no comando do governo.
37:54Homenageia o empresariado.
37:57Agradece ao povo, aos trabalhadores.
37:59Tudo isso é uma carta paradoxal.
38:02É renúncia diante disto.
38:04Senhor presidente, para mim, sugere outra coisa.
38:07juro a você que fui o primeiro a levantar.
38:10Juro a você que fui o primeiro a levantar.
38:12Isso é sinal de algo que me cheira a golpe.
38:16Está escrito no meu discurso.
38:18Está escrito no meu discurso.
38:19Ah, foi imediatamente um celeiro,
38:21porque bem ou mal era respeitado.
38:24Era um jovem, mas era um jovem respeitado.
38:26O Jânio Quadros, na megalomania dele,
38:30achava que ia acontecer como em Cuba,
38:34que ele tinha visitado quando candidato.
38:36O Fidel Castro renunciou ao cargo de primeiro início.
38:40O povo se rebelou e exigiu que ele voltasse.
38:43Então, o Jânio, depois de contar isso,
38:45anos depois, para o Neto,
38:47achava que ia acontecer o mesmo no Brasil.
38:51Ficaram inconclarados e queriam exigir o seu encontro com o presidente.
38:56E o presidente não queria recebê-los.
38:58O que estava redigindo naquela famosa documenta,
39:01o Orta desceu e insistiu.
39:03O presidente tinha o decreto de receber aqueles ministros militares.
39:06Então, o presidente terminou recebendo os três ministros militares.
39:10O Marachal Dali, que lhe é dito a...
39:14Presidente, ele disse,
39:15Presidente,
39:16o senhor Sarabada não se conforme com a sua renúncia.
39:18O que o senhor quer?
39:19O senhor quer que nós venchemos do Congresso?
39:23Nós saímos do Congresso.
39:25O senhor quer intervir na Guanabara?
39:27Nós todos conhecemos esse moço que está lá.
39:28Nós interveremos na Guanabara.
39:41Mas eu fiquei muito impressionada com a altíssima confiança dele na sua própria capacidade política.
40:00O encaminhamento para a renúncia decorre da absoluta confiança que ele tinha
40:07que voltaria nos braços do povo.
40:10Ele textualmente diz,
40:13em menos de três meses eu estarei de volta.
40:17Na época, teve um episódio semelhante, foi com Gamal Abdel Nasser,
40:21que ele renunciou e voltou nos braços do povo.
40:24Então, no fundo, o Jânimo achava que poderia repetir.
40:27Só que ele não tinha base social.
40:29O Nasser tinha um senhor base social no Egito e ali, em toda aquela região.
40:35Ele não tinha.
40:36Pelo contrário, o que ele tinha obtido na vitória estava se perdendo.
40:41Mais de uma vez ele ameaçou renunciar.
40:45E aí houve o movimento da UDN e tal.
40:49Então, ele se é, deu uma do dia do fico.
40:54Então, eu fico.
40:55Mas é que ele estava absolutamente convencido de que o povo iria para a rua.
41:02Ele estava.
41:19Já se foi a vassoura.
41:45Ele errou em primeiro lugar.
41:48Porque o inimigo dele principal, que tinha apoio popular e de classe média, ou seja, apoio de voto,
41:57Carlos Lacerda.
41:59Carlos Lacerda tomou a renúncia dele como uma prova de que ele queria dar o golpe.
42:06Não conseguiu dar o golpe, jogou o Brasil numa situação que podia dar em guerra civil.
42:14O Jânio renunciou numa sexta-feira achando que iam discutir a renúncia.
42:19E o presidente do Senado disse que não, renúncia é um ato unilateral de vontade.
42:26Não há discussão.
42:28Em menos de quatro horas a renúncia foi aceita.
42:32Isso não existe em lugar nenhum.
42:35Foi, não houve nada, não houve briga, nada.
42:40Aceitou rapidamente.
42:42A carta dupla do Jânio que fora entregue pelo Pedro Osuorta ao presidente do Congresso, Moura Andrade.
42:52Moura Andrade dá cópia da carta ou das cartas para os jornalistas.
42:58E o jornalista sai de bandada gritando.
43:02Como Moura Andrade não fez o que deveria fazer minimamente para metade e longa experiência.
43:10Só me passa por raivas internas que naquele tempo tenham levado a este gesto.
43:18Fora disso, não há explicação.
43:21O fato é que aquilo não passou por um segundo de uma análise formal do Congresso.
43:26Nem no Senado, nem na Câmara.
43:28Porque quando chega na Câmara, já era o documento voando de mão em mão.
43:34Os dois presidentes da Câmara e do Senado eram paulistas.
43:37O Vanieri Mazili e o Aulo de Moura Andrade, ambos o PSD.
43:43O Aulo de Moura Andrade, que era o presidente do Senado, ele não tinha interesse nenhum em que a renúncia
43:51não tivesse seguimento.
43:53Porque você sabe, o interesse do PSD e do PTB era se livrar do Jânio.
43:58Senão, eles iam ter que esperar cinco anos.
44:01Na época da renúncia, eu estava em Lore del Mar, na praia com os meninos.
44:10E o Jânio estava viajando para a China e eu não quis ir, porque eu preferi ficar descansando um pouco
44:16na praia.
44:17Mas eu fiquei sabendo com o dono do hotel.
44:21Eu desci para tomar café com os meninos e ele me falou, parabéns.
44:27Todo mundo me aplaudindo no salão, eu não sabia o que era.
44:31Aí ele disse, parabéns.
44:32Aí me deu o jornal e eu vi a renúncia do Jânio.
44:37E aí eu falei para ele assim, muito obrigada.
44:41Não sabia o que dizer, porque foi uma coisa assim tão repentina.
44:45Mas aí foi uma festa no hotel, muito grande.
44:49Está vaga a presidência da república.
44:52Deve ser empossado o presidente da Câmara, que é...
44:57Porque o vice-presidente não estava.
45:00Preciso lembrar esses detalhes.
45:02Mas segundo os analistas, eles consideram que a saída do Jânio para a China
45:07já foi uma coisa montada pelo próprio Jânio.
45:11Porque diante da renúncia e diante dos militares não quererem aceitar
45:15passar o poder para o Jânio, ele voltaria.
45:18Todo mundo foi pego de surpresa.
45:21Não tinha nada arquitetado.
45:24Uma das ideias que surgiu e que eu e Orlando refutamos
45:29era instituir um governo militar.
45:33A priori, construir um governo militar.
45:35Porque todos nós éramos contra a posse do Jânio.
45:38Tinha que estudar a maneira do Jânio não tomar posse.
45:41Lá no Palácio do Planalto, eu e Orlando vimos o TNI querendo fazer coisas,
45:48se orientando no sentido de um governo militar.
45:50E nós damos conta.
45:53Achamos que o exército não devia assumir.
45:56O Rui Ramos, que era um deputado do Rio Grande do Sul, do PTB, do Partido Trabalhista,
46:01se encontra com Odílio Denis, comandante do exército, ministro na época se chamava.
46:07O ser ministro tinha o poder total, absoluto sobre o exército.
46:10E há um intercâmbio de palavras muito duras, de parte a parte.
46:15E o Rui Ramos diz, mas o senhor está dizendo, desrespeitando a Constituição, eu posso lhe prender.
46:22E diz o Denis, e eu posso prendê-lo também.
46:25Bom, e aí ninguém prende a ninguém.
46:28O Bocaiu Vacunha, que era o líder do PTB, do Partido Trabalhista na Câmara dos Deputados,
46:34assiste à conversa.
46:35E depois ele telefona para o Brizola, ele e o Bocaiu Vacunha, e conta a situação.
46:42E aí é que o Brizola percebe que é definitivo a história do veto dos comandantes,
46:49dos ministros militares, à posse do João Goulart,
46:53sob o pretexto de que o João Goulart era pró-comunista.
46:56O que houve de grave foi não aceitarem a única saída constitucional,
47:05que era a posse do vice-presidente.
47:30O Brizola recebe um telefonema do Marechal Lott,
47:34que tinha sido o candidato derrotado pelo Jânio Quadros.
47:38O Marechal Lott conta que estava sendo perseguido,
47:41depois ele foi preso, encarcerado na Fortaleza das Lages,
47:47no meio da Baía da Guanabara.
47:50Brasil, meu sonho, esse raio híbrido,
47:53de amor e de esperança a terra desce,
47:57se o seu formoso céu e sonho híbrido,
48:01a imagem do cruzeiro resplandece.
48:06Acho que o Rio de Janeiro estava completamente tomado pela ideia
48:10de que o presidente era o João Goulart.
48:12Isso foi uma coisa muito tranquila,
48:14tranquila no sentido que foi muito pouco discutida,
48:18porque foi muito pouca reação a isso, de um modo geral.
48:21Achava que era isso mesmo.
48:23Nós estávamos vivendo do grande teatro,
48:26o Lacerda foi nos assistir, entendeu?
48:29E ele saiu de lá dizendo que isso aqui é coisa de comunista,
48:33isso aqui é coisa de comunista, entendeu?
48:36Bom, estreamos peça do Nelson Rodrigues.
48:41Foi um sucesso alucinado,
48:44porque foi também uma reação negativa moral, entendeu?
48:50Não política, destaco isso, não política, moral.
48:57Só que o Jânio renuncia.
49:01Em sete meses, não é?
49:05Aí vem o caos.
49:11Tinha prisão, tinha tamburão, tinha protesto.
49:38Eu saí de Brasília no último avião.
49:41Oficiais aeronáuticos entraram no avião com metralhadoras
49:46para ver o que estava acontecendo.
49:49Sei lá o que eles imaginavam.
49:50A pista do aeroporto em Brasília foi interditada com barris
49:55para evitar um ataque dos que eram fiéis ao João Goulart.
50:01Eu me lembro que eu saí e me lembrei daquele soneto
50:04do Carlos Drummond de Andrade,
50:07que é um soneto que se chama
50:08O Soneto da Perdida Esperança.
50:11Ele dizia assim,
50:12Perdi o bom dia e a esperança.
50:16Volto pálido para casa.
50:19Eu, desde aquele dia,
50:23senti que o golpe era inexorável.
50:36Eles recebem a notícia em Singapura,
50:39no Hotel Raflis,
50:40pela madrugada.
50:42Um dos acompanhantes,
50:45participantes dessa missão,
50:47que era
50:47o senador Barros de Carvalho,
50:50do PTB.
50:51E logo disse,
50:53Dr. Jango, vamos abrir uma champanhe
50:56para comemorar o futuro presidente.
50:59Mas o Jango era um homem muito precavido,
51:00um homem muito...
51:02com o pé no chão, né?
51:04E disse, olha Barros,
51:05você quer tomar champanhe?
51:07Não é inconveniente,
51:07vamos mandar buscar uma champanhe no bar.
51:10Agora, não para comemorar
51:12a minha chegada à presidência,
51:15mas sim em homenagem ao imprevisível.
51:28Tchau, tchau, tchau.
51:58Legenda Adriana Zanotto
52:22Legenda Adriana Zanotto
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