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Carlos Saldanha e Filipe Bragança revelam curiosidades de '100 Dias',filme sobre Amyr Klink
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NotíciasTranscrição
00:00Carlos, você é consagrado por grandes universos animados, eu quero entender o que na história do Amir fez com que
00:07você sentisse que era um projeto ideal para você comandar uma grande live action.
00:12Sempre quando eu trabalho, todos os meus projetos, eu procuro achar a história que me pega emocionalmente, o que tem
00:23nessa história que eu curto, que é a mensagem ou a temática que eu gosto.
00:28Então meus filmes de animação, eu fiz muito isso, assim, ah, o que eu gosto desse filme, por causa disso,
00:33daquilo e tal.
00:34E essa história, eu sempre fui apaixonado, eu li o livro quando eu era adolescente e eu sempre fui fã
00:41do Amir, eu gosto dessa coisa da aventura, da viagem, do mar.
00:45E quando me ofereceram a oportunidade de fazer esse filme, eu achei, se eu fosse fazer um filme de live
00:50action no Brasil, esse seria o filme perfeito para mim, sabe?
00:54Porque eu ia poder criar um mundo, né? O mundo do mar, aquela coisa toda e ao mesmo tempo contar
01:00uma história emocionalmente que me pegasse.
01:02Essa bagagem em animações, você acredita que te ajudou a construir esse visual do mar, das cempecades em cena?
01:09E eu até queria que você comentasse um pouquinho mais como foi essa criação, assim, teve muitas gravações no mar
01:16e também teve gravações no estúdio.
01:18Como que foi isso? Me conta um pouquinho.
01:20É, na verdade, assim, eu fugi da animação, mas a animação não foge de mim, porque esse filme tem muita
01:24coisa de animação, né?
01:25A gente, não da animação do jeito que eu faço, é uma animação mais realista, né?
01:30Porque a gente teve que criar baleia, criar tubarão, criar golfinho.
01:34Situações reais que aconteceram com o Amir, a gente teve que criar no mundo virtual, porque filmamos boa parte do
01:40filme em cenário.
01:41A gente montou um tanque em São Paulo e quando a gente filmou com o Felipe lá, a gente filmava
01:49máquina de onda, é tudo azul em volta e tal.
01:53Então a gente teve que recriar todas essas cenas, né? E no mar mesmo, a gente só filmou uma semana.
01:57Então a gente ficou, eu tive que criar o mundo real e o mundo virtual ali pra poder contar a
02:04história.
02:05Então, na verdade, isso foi um desafio muito legal de poder fazer, né?
02:10Brincar com essa tecnologia e isso me ajudou muito, porque eu já estava acostumado com esse processo.
02:14Felipe, e o que foi a sua preparação pra ver o Amir, né?
02:18Você se encontrou com ele? Teve alguma dica, assim, que ele te deu?
02:21E o que que deu a personalidade dele, assim, que você tentou absorver pra tela ou, né?
02:26Eu queria que você me contasse um pouquinho como foi essa preparação.
02:28Eu tenho no meu celular um áudio, uma gravação de áudio, de pouco mais de uma hora.
02:35Daquela primeira conversa que eu tive com o Amir, aquela vez que a gente foi lá naquela casa com o
02:39meu mãe,
02:41que foi o dia em que eu o conheci pessoalmente.
02:44E ele sempre muito generoso, muito receptivo, simpático.
02:50Eu, claro, muito curioso pra entender esse universo, pra entender como foi a travessia,
02:56perguntando curiosidades, todos os tipos de curiosidade, e ele me dando todos os tipos de respostas também.
03:03Eu me lembro, nessa ocasião, que eu mencionei, ele me mostrou como é que usava o sextante,
03:08como é que fazia o cálculo do mapa, pra entender a posição em que a gente tava no mar.
03:14Então ele me explicou tudo isso, me explicou como é que eu usava algumas ferramentas,
03:18como é que ele usava o rádio.
03:20Enfim, eu perguntei muita coisa, e tudo isso tá no filme,
03:24sobre como ele habitava aquele ambiente, do barco, do mar, do oceano, sozinho.
03:32Mas é claro que eu tive o livro também, aproveitando que estamos lá para falar que o filme é baseado
03:37no livro
03:38100 dias antes de ser o mar, que é um livro fabuloso,
03:41em que eu acho que dá pra entender muito dessa perspectiva que ele teve sobre a viagem,
03:47as reflexões que ele teve, dá pra entender muito do senso de humor do Amir,
03:52o Amir é um cara muito bem imorável, apesar de ser um cara fechado,
03:55ele é um cara muito bem, ele é tímido, ele é fechado, mas ele é muito bem imorável,
04:00então acho que eu tive muitas dessas ferramentas, documentários, entrevistas,
04:04para entender a maneira dele de falar, de estipular, de se comunicar.
04:08Depois no remo, remar.
04:10E remar, claro, tive muitas aulas de remo, tive que emagrecer também bastante,
04:15para poder ficar ainda mais parecido com o Amir,
04:18e eu acho que foi uma preparação muito prática, muito emocional também,
04:22porque eu tive que me isolar um pouquinho para entender também como é que funcionava esse ecossistema emocional
04:31do isolamento, da solitude, então acho que isso foi muito importante para mim também.
04:40E eu acho que, claro, além de toda essa construção de personagem,
04:44eu acho que foi muito importante ter o Carlos, porque você perguntou a animação e tal,
04:49o quanto isso interfere, e o quanto isso contribui para o trabalho dele nesse filme,
04:55e acho que ele se prova também um excelente diretor de atores,
05:00um cara que se comunicou muito bem comigo, a gente criou uma parceria muito forte durante as filmagens,
05:06e foi um cara que também me ajudou muito, porque eu precisava, como a gente falou,
05:10a gente filmou, em grande parte, num tanque, no fundo azul e tal,
05:15então eu voltei a ser criança, porque eu percebi que eu estava brincando,
05:19eu estava imaginando um mundo que não estava ali,
05:22eu tinha que imaginar as baleias, os lorfinhos, o oceano, o céu, as nuvens e tudo,
05:27então eu senti que eu estava voltando a ser criança também,
05:29isso foi muito prazeroso, porque eu senti que eu estava brincando,
05:32estava existindo um mundo de fantasia ali, durante as filmagens, e isso foi muito especial.
05:38Essa travessia, né, do oceano, é um desafio que você enfrentaria na sua vida?
05:44Poucas pessoas.
05:45Poucas pessoas, eu acho, enfrentariam esse desafio, mas olha,
05:50eu acho que eu enfrentei um desafio ainda mais difícil, que foi fazer esse filme,
05:53porque realizar um filme como esse no Brasil é um trabalho árduo, é um trabalho longo,
06:00o Amir atravessou o oceano em 100 dias, mas o processo do filme...
06:04Já estão aí vários anos.
06:05Por muitos anos, entende?
06:07Então, assim, eu acho que a gente escolhe os nossos desafios,
06:12eu acho que fazer cinema, trabalhar com atuação no Brasil já é, por si só, um grande desafio,
06:20mas, inclusive, por causa do meu trabalho como ator, eu já tinha velejado,
06:24eu fiz uma série chamada Dom,
06:26em que na segunda temporada o meu personagem veleja.
06:30Mergulha também, né?
06:31Mergulha, então, no início da série o personagem é um mergulhador,
06:34então sempre uma conexão curiosa com a água e com o oceano, enfim,
06:38mas remar não, remar foi a primeira vez,
06:41e é tão gostoso, assim, algumas cenas que a gente filmou,
06:46a gente não filmou só em estúdio, a gente filmou no ar também,
06:49e foi tão gostoso remar, eu queria,
06:51teve um momento que eu falei, cara, eu acho que eu vou deixar essa produção aí,
06:53e vai remando, e vou sair remando, e vai pra África,
06:56é, eu vou pra África, vou chegar lá e iludem.
06:59Eu vi o trailer, né, já vi mais sobre o filme,
07:02como que foi esse desafio de atuar, assim, durante grande parte do filme,
07:06sozinho, né, assim, sem ter um ator, né, Alitia,
07:10na verdade o Mar era o seu, era o seu parceiro ali, né,
07:15como que foi isso pra você?
07:16Como eu falei, é, um trabalho interessante de imaginação,
07:20que eu acho que é a natureza do ser humano e a natureza do ator também,
07:24o ator precisa ser um vídeo curioso, precisa querer imaginar,
07:28é, trabalhar muito bem a sua imaginação pra poder executar o trabalho,
07:32é, mas, como o Amir realiza um determinado momento do livro e do filme também,
07:39né, na sua travessia, ele percebe que ninguém atravessa sozinho,
07:41e eu não tava sozinho, né, tanto porque eu tinha outros atores também,
07:45que compõem parte importante da história, do elenco, enfim,
07:49mas também porque eu tava com o Carlos,
07:51tava com toda a equipe de profissionais excepcionais que realizaram esse filme,
07:57toda a equipe de caracterização, de direção de arte, de figurino, de maquinária,
08:02mas todo mundo, né, o cinema, ele exige uma equipe muito grande,
08:05são centenas de pessoas trabalhando pra poder contar uma história, né,
08:08e se vai de todo mundo, quem serve o catering, quem limpa o estúdio,
08:13tudo, sabe, tudo, então, eu tava sozinho, mas eu não tava, eu não tava.
08:19E, Saldanha, qual que foi o maior desafio, né, na direção dessa jornada, assim, solitária, né,
08:26de você traduzir isso pro cinema e aí levar, né, um drama empolgante,
08:30que empolgasse pro cinema, qual que foi o maior desafio que você teve?
08:33Eu tive alguns desafios, mas, assim, depende,
08:37teve um desafio, primeiramente, de execução mesmo, né, de montar um roteiro,
08:43um livro, transformar livros em filme é sempre complexo,
08:46porque você quer fazer justiça a uma literatura que é mais completa, né,
08:50dentro de um tempo que você é mais limitado,
08:53então essa conversão, a gente demorou um tempo pra gente chegar lá, né,
08:58e foi um desafio muito grande poder fazer isso.
09:02E teve um desafio técnico, porque como o Filipe falou agora,
09:07era um processo que dependia muito dele como ator
09:12e dependia muito da imaginação das pessoas filmando,
09:15porque a gente tava, eu, ah, eu quero que a baleia esteja ali,
09:17mas a gente só via azul, né, então assim, tinha.
09:20Então a gente teve uns desafios técnicos, que foi a primeira produção,
09:23talvez dessa escala no Brasil, que usasse todos esses elementos de efeito especial e tal,
09:30então isso foi um desafio já naturalmente difícil de fazer, né,
09:34mas como todo desafio, o gostinho de você conseguir fazer é tão interessante,
09:41a adrenalina de poder fazer, que a gente, eu não pensava muito nos problemas,
09:44eu pensava muito de como é que a gente vai solucionar,
09:46como é que a gente vai fazer, como é que a gente vai fazer acontecer.
09:48Ah, não, funcionou assim, vamos pra fazer, a gente tentou fazer de todas as maneiras possíveis,
09:53tava todo mundo tão empenhado, a equipe foi tão fantástica,
09:56o Rodrigo Monte, que é o diretor de fotografia,
10:00ajudou muito nesse processo de poder entender câmera,
10:02como é que a gente podia usar, é dentro das limitações que nós tínhamos,
10:06é criar mais o quase que o impossível ali, né,
10:09e isso foi muito gostoso.
10:11Então assim, os desafios foram bons desafios,
10:13não foi aquele perrengue de você, ah, e não vai dar certo, é ruim,
10:17e não, foi assim, tudo muito positivo,
10:20a energia do set foi muito positiva,
10:22então tudo acabou conspirando pra que desse certo, sabe?
10:25O Felipe já até comentou um pouquinho que o Amir participou do processo, né,
10:29também que começou com ele,
10:30teve algo que o Amir revelou nas conversas,
10:32que entrou no filme, mas não tá no livro?
10:35Alguma coisa que a gente vai encontrar ali?
10:36Tem algumas coisas, assim, é porque o livro,
10:39eu, quando eu conversava com o Amir,
10:41eu não queria conversar com ele, sobre exatamente o livro,
10:43assim, claro, eu conversava, ah, como é que foi essa cena
10:44que você mergulhou pra tirar as cracas do fundo do mar?
10:48Essas coisas, assim, técnicas, ah, como é que você fazia pra dar nó?
10:51Aí ele explicava pra gente, explicou pro Felipe.
10:53Eu perguntava como é que você ia no banheiro, por exemplo.
10:55É, como é que você vai no banheiro?
10:57Então assim, essas coisas, a gente tinha curiosidade
10:59porque não tá no livro.
11:00É.
11:01E algumas dessas coisas entraram na história, né,
11:05mas a parte emocional dele, da família, da mãe, do pai, do irmão,
11:11essas coisas não tão totalmente no livro.
11:13Isso eu consegui inserir na história através das conversas não só com o Amir,
11:17mas também com os amigos do Amir, com a família do Amir.
11:20Então foi muito legal isso, assim,
11:21é um trabalho de paralelo ao livro que entrou no filme,
11:24que não necessariamente tá no livro,
11:25mas entrou no filme pra dar um contexto melhor na história,
11:30além da aventura, além da execução da travessia em si.
11:35Felipe, o que a história do Amir te ensinou, né,
11:39depois de toda essa gravação, você leu o livro,
11:41o que a história dele deixou pra você, assim,
11:43tem alguma coisa que você vai levar pra vida?
11:45Tem algumas coisas, assim, porque o processo desse filme
11:50foi muito transformador pra mim, né, como ator, como pessoa,
11:54e esse processo ainda não acabou.
11:58E eu vivi algumas coisas nesse meio tempo,
12:00desde que a gente acabou as filmagens,
12:03e eu refleti muito em paralelo com a história,
12:07que é a ideia de que não importa quantos oceanos a gente reme,
12:13a gente sempre precisa voltar.
12:15A gente sempre precisa voltar pra casa.
12:18Então eu acho que ele me ensina isso,
12:21além do que eu falei, que ninguém atravessa sozinho, né,
12:24a nossa travessia da vida, ela é feita de muitos encontros,
12:29muitas despedidas também,
12:31e acho que é bonito fazer essa reflexão,
12:34porque é isso.
12:36Eu adoro essa sozinha.
12:38Eu sei que as gravações, elas terminaram antes da novela,
12:43mas eu vejo aqui um ritmo muito intenso, assim, né,
12:45é gravação, agora enquanto você tá ainda na novela,
12:48você também tá fazendo outras partes, né,
12:51por exemplo, estar aqui na Flip pra divulgar o filme,
12:55como que você concilia tudo isso?
12:56Foi um timing muito oportuno,
12:58porque a novela, a gente acabou as filmagens no dia 11 de julho,
13:04as filmagens da novela,
13:06e os eventos de promoção do filme começaram agora, né.
13:11Eu, inclusive, fui muito feliz de assistir,
13:13assim que quase na mesma semana que a novela acabou,
13:16eu assisti o filme pela primeira vez.
13:18Então eu acho que foi bonito esse recomeço do ciclo do filme,
13:23assim, então o timing foi perfeito.
13:24No fim das contas, foi ótimo,
13:26porque num ritmo de novela, o Carlos sabe,
13:28porque a gente teve que gravar umas dublagens,
13:31você lembra do filme?
13:32Sim, aham.
13:32E eu tava filmando a novela,
13:33e a agenda era impossível,
13:35era muito difícil.
13:37Então, assim, que bom que já acabou,
13:39porque daí eu posso me entregar pra lançar o filme.
13:42O que você sentiu quando você assistiu o filme?
13:44Eu senti que o Carlos é um diretor extraordinário.
13:49Não, de verdade, porque, claro, é o mérito de todos nós, né,
13:53mas eu sinto que o público é convidado a viajar junto com o amigo,
14:02naquele barquinho, naquela lâmpada flutuante.
14:05Eu sinto que o filme, ele realmente é imersivo o suficiente
14:08pra transportar o público pra essa clarecia, assim.
14:11Eu acho isso espetacular.
14:14Não vou me alongar muito falando de trilha sonora,
14:16e de pelo resto que eu também amei,
14:18mas eu acho que, em essência, é isso.
14:20Eu acho que o público é convidado a atravessar o oceano junto com o amigo.
14:23Então, Daniel, o que você espera que a gente sinta com o filme
14:26quando a gente assistir?
14:27Ah, eu espero, assim, quem lê o livro,
14:29que sinta a mesma emoção de ler o livro vendo esse filme, né,
14:32e pra quem não lê, que consiga entender
14:35quão importante essa jornada foi no contexto histórico mesmo,
14:39de Brasil, de heróis nacionais,
14:42que a gente pegue um pouco desse otimismo
14:46e um pouco dessa garra que ele teve,
14:52dessa preparação, desse ímpeto e essa vontade, né,
14:57que eu acho que é uma coisa que, às vezes, a gente se perde um pouco, né,
15:00a gente perde um pouco, a gente fica um pouco assim.
15:02Isso eu acho que dá um upzinho, dá uma levantada nas pessoas.
15:06Então, esse otimismo, essa vontade de fazer e acontecer,
15:10é uma coisa que eu acho que pra quem assistiu,
15:13o jovem, o mais velho e tal,
15:14eu acho que pode se inspirar bastante nisso.
15:16Tchau, tchau.
15:18Tchau, tchau.
15:20Tchau, tchau.
15:20Legenda por Sônia Ruberti
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