00:00E Cascavel já registrou quatro casos de feminicídio só neste ano.
00:05Além das investigações, o trabalho de proteção às mulheres em situação de violência
00:09também tem sido reforçado pelas forças de segurança.
00:13Eu vou ao vivo com a Débora Evangelista, que tem mais informações a respeito desse trabalho,
00:17especialmente da Patrulha Maria da Penha. Débora, uma boa tarde pra você.
00:22Oi Eliane, boa tarde pra você, boa tarde a todos que nos acompanham.
00:26Agora sim, são oficialmente quatro casos de feminicídio aqui em Cascavel.
00:31Já tínhamos três e nessa semana o Ministério Público, então, aceitou a denúncia
00:36com relação àquele caso que nós mostramos no mês passado aqui no Jornal da KTV,
00:42da escrivã da polícia militar que foi morta.
00:45Num primeiro momento, então, havia essa suspeita de que ela teria tirado a própria vida,
00:50porém, durante as investigações, a polícia entendeu de que se tratava de um caso de feminicídio.
00:57Aí o Ministério Público aceitou essa denúncia da polícia, esse inquérito policial,
01:03alegando que há circunstâncias suficientes, elementos suficientes que comprovam de que Vanessa Marti
01:10foi morta pelo companheiro, que é um militar da reserva, do exército.
01:14A gente acompanhou esse caso e estava aguardando, então, as novidades desse processo.
01:21Então, nessa semana, o Ministério Público aceitou a denúncia e já encaminhou para o juiz
01:27e agora o militar da reserva, ele é tratado como réu nesse processo.
01:33Nós preparamos uma reportagem relembrando também o caso
01:36e quem está acompanhando o Jornal da KTV também vai assistir um vídeo
01:42que nós conseguimos com exclusividade na noite da morte da Vanessa.
01:47Acompanhe a reportagem.
01:48A denúncia do Ministério Público sustenta que Vanessa foi vítima de feminicídio,
01:54contrariando a versão apresentada inicialmente pelo companheiro,
01:57Júlio César Wattelman de Freitas, de 58 anos,
02:01subtenente da reserva do exército, de que ela teria cometido suicídio.
02:06As investigações da Polícia Civil e da Polícia Científica
02:10apontaram inconsistências na dinâmica dos fatos
02:13e embasaram o indiciamento do militar pelo crime.
02:16O comportamento do acusado também contribui muito para as teses apresentadas pela acusação.
02:22A primeira questão que chamou-se muita atenção foi o fato dele não ter socorrido a esposa
02:29se ali, de fato, ela tivesse tirado a própria vítima.
02:32Isso seria facilitado, inclusive, porque ela faleceu dentro do próprio veículo,
02:37o que possibilitaria a ele um socorro imediato.
02:42Segundo ele, ele tenta prestar socorro para ela, em razão disso ele se suja de sangue,
02:49mas com a chegada da equipe policial ao local, percebe-se que ele já está limpo.
02:53Apesar do recebimento da denúncia, a investigação ainda aguarda a conclusão de alguns laudos periciais
03:00e também da reconstituição do crime.
03:02Existem algumas perícias a serem realizadas no local, como uma perícia relacionada à captação de som
03:10e cogita-se também a possibilidade de requerer uma nova perícia em cima do veículo onde a vítima foi morta.
03:17A defesa do militar questiona a decisão do Ministério Público de oferecer a denúncia
03:22antes da conclusão de todas as perícias.
03:25Segundo ele, o processo ainda depende da finalização das provas técnicas, para esclarecer completamente o caso.
03:33De uma maneira muito rápida e não conclusiva, por parte da Polícia Científica,
03:40algumas perícias ainda estão por ser finalizadas,
03:44sejam elas perícia na própria vítima, na mão dela, no couro cabeludo dela,
03:49para se apontar tecnicamente se há ou não resquícios de pólvora ou até queimadura
03:56decorrente do disparo de arma de fogo no corpo da vítima.
04:00Também perícias a serem realizadas na roupa da vítima e na roupa do acusado,
04:06que ambas as roupas foram recolhidas e encaminhadas para apontar se há vestígio ou não de pólvora.
04:12E outras provas, que a perícia nos aparelhos de telefone celular,
04:17tanto da acusada quanto da vítima, são perícias, provas técnicas que sequer foram finalizadas
04:22e mesmo assim o Ministério Público optou por oferecer essa denúncia
04:26sem haver essa conclusão da prova pericial.
04:28A defesa informou ainda que deve apresentar um novo pedido de habeas corpus
04:33na tentativa de revogar a prisão preventiva do militar.
04:37Foi solicitada a liberdade provisória dele para que ele respondesse em liberdade
04:41na audiência de custódia, mas que foi indeferido pela Justiça
04:44sob o argumento e fundamento único e exclusivo pela garantia da ordem pública.
04:49Vanessa Marti, de 45 anos, era a escrivã da Polícia Federal.
04:53Ela foi encontrada morta com um disparo de arma de fogo na cabeça, dentro do carro da família,
04:59na noite do dia 24 de junho, no bairro Brasília, em Cascavel.
05:04Na ocasião, o marido, o subtenente da reserva do Exército, afirmou que a esposa havia tirado
05:09a própria vida após uma discussão.
05:12As imagens, obtidas com exclusividade pela KTV, mostram a movimentação na casa no dia do crime.
05:19Veja que o carro entra na garagem por volta das oito da noite.
05:23E se escuta o militar gritando, como se fosse uma discussão.
05:32Cerca de três minutos depois, é possível ouvir o disparo.
05:36Na sequência, o militar grita, o que você fez?
05:49Logo depois, ele pega o telefone, aciona o SAMU e faz outras ligações.
05:55Minha mulher acabou de dar um tiro na cabeça aqui, por favor.
05:59Ela está no carro, eu deixei ela no carro, eu entrei, ela pegou a minha pistola.
06:04Em outro momento, nas imagens, o militar afirma que não vai se aproximar da esposa.
06:09Eu acho que está respirando, cara, eu não posso mexer, senão depois eu não vou ter que fazer nada aqui,
06:14né, cara?
06:14O militar da reserva permanece preso no 33º Batalhão de Infantaria Mecanizado em Cascavel,
06:21enquanto aguarda o andamento do processo judicial.
06:26Bom, só corrigindo então, eu falei escrivã da Polícia Militar, a Vanessa era escrivã da Polícia Federal.
06:35Bom, e a Polícia Militar realiza um trabalho de prevenção de casos de violência doméstica e também de feminicídio,
06:44com uma equipe exclusiva da Patrulha Maria da Penha.
06:48A gente tem uma tela para vocês acompanharem com a gente o número de ocorrências registradas,
06:53tanto no ano passado quanto nesse ano, de janeiro a julho.
06:57No ano passado foram 906 ocorrências, enquanto nesse ano, 888.
07:04De medidas protetivas acompanhadas, 1.200 no ano passado e 600 neste ano.
07:12Bom, nós conversamos também com o tenente, João Marcelo, da Polícia Militar.
07:17Ele fala para a gente com relação a esse trabalho e esses números também,
07:21esse levantamento da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar.
07:25Acompanhe.
07:26Em comparação ao ano passado ali, eles estão realizando praticamente o mesmo tanto de visitas,
07:32o mesmo tanto de atendimentos, o mesmo tanto de situações que ocorreram do ano passado e desse ano.
07:39É estatisticamente bem próximo.
07:40No entanto, o que nos preocupa é um pouco a questão do feminicídio.
07:43Infelizmente, ano passado, os dados desse ano já quase se igualam aos do ano passado em termos de feminicídio.
07:49Essa tendência de estabilização agora de ocorrências do tipo ali,
07:55ela se vê em virtude de que a gente vê uma sequência de anos aumentando registros de violência doméstica,
08:01mas isso não é porque aumentaram a quantidade de violência doméstica.
08:05É porque agora as pessoas estão mais conscientes, estão denunciando, estão procurando a polícia para registrar,
08:11fazer registro disso e buscar seus direitos.
08:16Então, Eliane, temos esse quarto caso de feminicídio, de acordo com a justiça,
08:21com elementos suficientes para que esse militar da reserva seja julgado por feminicídio,
08:28totalizando quatro, então, aqui em Cascavel,
08:31e reforçando o canal de denúncia, que pode ser feito pela polícia militar ou também pela Guarda Municipal,
08:38com a rede de apoio pela Patrulha Maria da Penha.
08:41Volto com você.
08:43Obrigada, Débora.
08:44Bem, gente, e falando em violência doméstica,
08:47somente nos primeiros seis meses deste ano,
08:50mais de 180 pessoas foram acolhidas do abrigo para mulheres aqui em Cascavel.
08:55Neste corredor, histórias marcadas pela violência começam a ganhar um novo capítulo.
09:02O abrigo de mulheres de Cascavel recebe quem precisa de proteção imediata após denunciar o agressor.
09:10Só no primeiro semestre deste ano, 183 pessoas foram acolhidas aqui.
09:15Entre elas, mulheres e filhos que precisaram de um local seguro para recomeçar.
09:21A maioria é encaminhada pelas forças de segurança.
09:24As pessoas têm denunciado mais, as pessoas têm contado mais com a rede,
09:30e têm tido mais a informação que existe, serviços onde ela possa buscar
09:36para receber um auxílio para sair da situação de violência doméstica.
09:40Porque a gente sabe que, e a gente vê isso no dia a dia,
09:43que quando a mulher sofre violência doméstica, não é só a mulher que sofre,
09:47é toda uma família, são as crianças que estão inseridas e estão nessa situação também.
09:52Em média, o acolhimento dura duas semanas.
09:54Mas dependendo da situação e do risco enfrentado, algumas mulheres permanecem no local por meses.
10:01O tempo de estadia aqui no abrigo é temporário.
10:04Não existe uma data limite para que as mulheres passem por esse acolhimento.
10:10Além de recebê-las, aqui também são realizadas outras atividades,
10:17auxiliando as mulheres a saírem do ciclo de violência.
10:21Tudo para que possam reconstruir a vida com segurança e autonomia.
10:25O objetivo é que, ao deixarem o abrigo, elas estejam fortalecidas para recomeçar,
10:31longe da violência e com mais independência.
10:35Quando a gente recebe a mulher, no primeiro momento ela passa para o acolhimento,
10:40para acolher, ver quais são as necessidades dessa mulher, quais são as demandas,
10:45e a gente faz todos os encaminhamentos necessários.
10:48Então, às vezes ela precisa de atendimento jurídico, é encaminhado,
10:51às vezes ela está desempregada, então a gente encaminha para órgãos que fazem o encaminhamento para trabalho.
10:56Às vezes ela precisa de um atendimento da saúde.
10:59Nós levamos, acolhemos, se essa mulher já trabalha e vem para o abrigo,
11:03a gente leva, a gente busca, assim também como as crianças para a escola.
11:07Então, ela não deixa de seguir a própria vida.
11:09Às vezes precisa mudar algumas coisas, um horário, um trabalho e a gente auxilia.
11:14Muitas mulheres chegam ao acolhimento depois de anos de agressões físicas,
11:18mas além disso, podem ter passado ainda por outras formas de violência,
11:23como a psicológica ou patrimonial.
11:26A Comissão da Mulher Advogada da OAB Cascavel explica que ter uma rede de apoio
11:32que apoie juridicamente também é essencial.
11:35Nós estamos aqui justamente para fazer o papel como sociedade na parte jurídica.
11:45Então, nós orientamos, nós informamos quais são os direitos delas,
11:50o que elas podem buscar, direito à atenção para os filhos,
11:55para ela em muitos momentos, dependendo da situação.
11:58A advogada reforça, sempre há tempo para romper o ciclo da violência e buscar ajuda.
12:04O que eu sempre falo para todas as mulheres é que elas não estão sozinhas.
12:10A gente sabe que é difícil, a gente sabe que hoje em dia o índice de feminicídio é muito alto,
12:15mas as mulheres precisam falar e nós, como sociedade, precisamos ouvir.
12:21Denúncias podem ser feitas para a Patrulha Maria da Penha da Guarda Municipal de Cascavel pelo telefone 153.
12:28A Polícia Militar também pode ser acionada pelo 190.
12:34A violência doméstica é uma realidade que afeta milhares de mulheres todos os dias.
12:39É hora de nos levantarmos e dizermos basta.
12:43Como homens, temos a responsabilidade de proteger e respeitar as mulheres em nossas vidas.
12:49Não podemos mais fechar os olhos para esse problema.
12:52Violência não é sinal de força, mas de fraqueza.
12:56A verdadeira força está em tratar todos com respeito e dignidade.
13:00Precisamos ser exemplos para as próximas gerações.
13:04Ensine seus filhos a respeitar as mulheres.
13:07Diga não à violência doméstica.
13:09Denuncie a violência.
13:11Proteja.
13:12Apoie.
13:13Não podemos mais ficar em silêncio.
13:15A mudança começa com cada um de nós.
13:17Juntos podemos construir um mundo sem violência.
13:21Se você ou alguém que você conhece está sofrendo violência doméstica, procure ajuda.
13:27Ligue para o 180.
13:28Diga não à violência doméstica.