O EM Minas, programa da TV Alterosa em parceria com o jornal Estado de Minas e o Portal Uai, conversa neste sábado (25/7) com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada no Estado de Minas Gerais (SICEPOT-MG), Bruno Baeta Ligório.
Imagens: TV Alterosa
Apresentaor: Ricardo Carlini
Foto: Gladyston Rodrigues
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NotíciasTranscrição
00:14Olá, tudo bem? Como estão vocês? É um prazer mais uma vez reencontrá-los aqui no
00:20Em Minas hoje recebendo o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Pesada do Estado
00:26de Minas Gerais, o jovem Bruno Baeta Ligori. Tudo bem, Bruno?
00:30Muito prazer, Carlinhos.
00:31Seja bem-vindo.
00:33Obrigado pelo convite. É um prazer estar aqui para esse bate-papo.
00:36Construção Pesada, um menino tão jovem, a gente acha que virar assim uma pessoa, um ancião, né?
00:42A Construção Pesada, ela é a anciã da construção? Nada a ver.
00:46A Construção Pesada, a gente concentra e chama de Construção Pesada todas as obras de infraestrutura,
00:54as obras rodoviárias, obras de pontes, viadutos, as obras de saneamento, as obras de infraestrutura urbana,
01:03trincheiras, urbanização, pavimentação. Então, basicamente, esse é o segmento da Construção Pesada.
01:08Então, toda obra grande é a indústria da Construção Pesada que faz.
01:13Exatamente.
01:14E aí eu posso falar em portos, aeroportos, ferrovias?
01:17Também, Construção Pesada, infraestrutura, é o que difere um pouquinho as construtoras da Construção Pesada da Construção Civil.
01:25De prédios, de apartamentos, escritório.
01:27Prédios, apartamentos, justamente.
01:29São quantas indústrias de Construção Pesada em Minas Gerais?
01:32Em Minas Gerais, no Cicepote, hoje, nós somos 233 empresas associadas.
01:37Então, são empresas de todos os portes e de diversos segmentos.
01:41Em todas as regiões?
01:42Em todas as regiões. O Cicepote tem a representatividade em todo o estado de Minas Gerais.
01:48Não são 100% das empresas que estão associadas, mas a maior parte, e as grandes empresas, estão lá com
01:56a gente.
01:57Bruno, e o que domina hoje a Construção Pesada em Minas Gerais? Que tipo de obra?
02:03Construção Pesada em Minas Gerais, os três segmentos preponderantes são as obras rodoviárias,
02:09as obras de saneamento e as obras de infraestrutura urbana.
02:13São os três segmentos mais representativos.
02:16Quando você fala saneamento, o que a gente pode detalhar? Uma obra de saneamento?
02:20A gente vai falar tanto estações de tratamento de água, elevatórias, redes de distribuição de água e de coleta de
02:27esgoto,
02:28e a manutenção, o serviço de manutenção também de todo o saneamento.
02:32Aí você vai me obrigar a fazer uma pergunta para você.
02:36A indústria da Construção Pesada é ela que cuida, então, de todo o regramento, a construção da infraestrutura de um
02:46país.
02:46É ela que constrói.
02:48Exatamente.
02:49E eu lamento contar para você, mas você já sabe, a gente está parado no tempo há uns 200 anos.
02:54Porque a infraestrutura no Brasil parece que inexiste.
02:59É culpa da indústria?
03:01É isso mesmo, Carlene.
03:03Infraestrutura depende muito de política pública, depende muito de planejamento de longo prazo e, acima de tudo, planejamento de Estado.
03:10A gente não pode ficar refém de planejamentos de governo, ou seja, eleitorais, curtos de quatro anos, um ciclo de
03:18quatro anos.
03:19Todas essas obras estruturantes, o ciclo dela é muito mais longo do que isso.
03:23Se demora a planejar, se demora a pensar, olhar para frente o que nós vamos precisar de infraestrutura daqui a
03:29alguns anos,
03:29começar a desenvolver projetos e, muitas vezes, a gente não tem essa visão na nossa gestão pública de forma geral.
03:38Estou falando em todas as esferas, federal, estadual, municipal, todas elas.
03:42Então, as nossas empresas e o nosso sindicato reúnem as empresas que executam essas obras.
03:49Agora, o planejamento acaba partindo muito mais de uma política pública.
03:53O Brasil sofre muito, né?
03:56Questão de portos, aeroportos, ferrovias.
04:00É, não só sofre...
04:02A infraestrutura aqui é sofrível, não é, no Brasil?
04:04Muito sofrível, muito pequena.
04:07E quando eu falo pequena, eu explico.
04:09Porque nos países desenvolvidos, a infraestrutura, ou seja, a soma do valor dos portos, das rodovias, das ferrovias,
04:18ela representa 60% do PIB.
04:21PIB é, basicamente, a geração de riquezas do país, de uma forma bem simples.
04:27E, nos países desenvolvidos, o tamanho dos ativos de infraestrutura, o tamanho, o valor desses ativos,
04:33representa 60% do PIB.
04:35No Brasil, representa 35%.
04:37Ou seja, nossa infraestrutura é muito pequena.
04:40Nós deveríamos ter muito mais rodovias, rodovias maiores, muito mais linhas férreas,
04:44muito mais portos, aeroportos, o que nos ajudaria e contribuiria para reduzir o custo Brasil.
04:51Para reduzir o custo logístico e melhorar o desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas.
04:56Você acredita que estamos num momento otimista ou não para a infraestrutura no Brasil?
05:04Carline, é curioso, porque em Minas Gerais...
05:08Esse sorrisinho seu que eu não entendi.
05:10E eu falo mesmo, eu falo mesmo.
05:13E é muito curioso.
05:15É desespero ou é alegria?
05:18É uma mistura das duas coisas.
05:21Bom, vamos lá.
05:22Nós temos duas formas de trazer investimento para a infraestrutura.
05:26São investimentos públicos e privados.
05:29O Brasil, de forma muito atrasada nos últimos anos, começou a atrair muitos investimentos privados.
05:35Isso é muito bom.
05:36Então, os investimentos privados seguem batendo recorde ano após ano.
05:40Por outro lado, os investimentos públicos têm caído.
05:44E têm caído muito.
05:45Nós temos um problema fiscal em Minas, no Brasil, de pouco recurso que sobra para fazer obra, para investir em
05:54infraestrutura.
05:55Então, o sorriso é nesse sentido.
05:562% no PIB, 2% no PIB?
05:59É.
06:00Nós precisaríamos investir 4% no PIB.
06:02E hoje está o quê?
06:032% no máximo?
06:03Hoje a gente investe 2,22% a nível nacional.
06:06E mais da metade desses investimentos hoje são investimentos privados, de projetos privados, de concessões e etc.
06:12Porque quando a gente fala de infraestrutura, o que tem de obra em infraestrutura no Brasil?
06:17Eu consigo lembrar aqui de portos da iniciativa privada, de ferrovias construídas pela iniciativa privada, por indústrias,
06:26estradas construídas através de concessão e privadas.
06:31Não me lembro de nada.
06:33O meu raciocínio é lógico?
06:35Ele é lógico, ele faz sentido.
06:37Agora, todo investimento privado, ele precisa ter viabilidade econômica financeira.
06:41É claro que quem coloca dinheiro, investe num ativo de infraestrutura, num porto, numa ferrovia,
06:47ele precisa fazer aquilo gerar renda.
06:50E por isso que a gente precisa da complementariedade de mais investimento público.
06:54Às vezes, não diretamente ali, mas para alimentar um porto.
06:59A gente precisa de mais rodovias conectando para aumentar a carga, para trazer mais desenvolvimento.
07:04E aí a gente depende muito de investimento público para fazer essa complementariedade.
07:08E tentar criar esse ciclo virtuoso.
07:11Quando a gente tem mais desenvolvimento, a gente precisa aumentar a nossa infraestrutura,
07:16acaba atraindo mais investimento privado.
07:18Então, uma coisa ajuda a outra.
07:20São sempre complementares, Carninho.
07:21E foi positiva essa recém-renovação de antigas concessões de estradas?
07:28Muito positiva.
07:31Concessões, falando então de estradas rodoviárias, o Brasil e o mercado vêm amadurecendo.
07:37Os primeiros projetos de concessão, eles ainda não estavam maduros, tiveram seus problemas.
07:43Foram cancelados e agora relicitados numa modelagem mais moderna, numa condição melhor.
07:50E a gente tem uma convicção de que agora os investimentos vêm.
07:53Então, muito positiva e tenho também absoluta tranquilidade de falar que Minas vive esse bom momento.
07:59Nós temos um grande arcabouço de projetos que virão nos próximos anos,
08:09fruto dessa renovação e dessas novas concessões que nós nunca vimos em Minas Gerais.
08:12E já em andamento tem a 040, de novo, a 262 também.
08:18São um total de 15 novas concessões entre federais e estaduais.
08:24Aí a gente pega a 040 para os dois lados, Belo Horizonte-Rio, Belo Horizonte-Brasília.
08:29A gente tem a 262, a gente tem a 381, a famosa Rodovia da Morte.
08:36A gente tem o Rodoanel, que hoje está parado, mas é uma dessas concessões que a gente precisa
08:42e torce muito para que essa trava jurídica se resolva e que os investimentos aconteçam.
08:49Então, com 15 novas concessões? 15 da área rodoviária.
08:53Na área rodoviária são 15 concessões em estágio inicial.
08:59E é importante falar isso, sabe, Carline?
09:01Às vezes as pessoas querem, pô, já estou pagando pedágio e a duplicação não veio,
09:05os investimentos não vieram.
09:07Faz parte, os projetos são estruturados dessa forma.
09:11A fase inicial é uma fase mais de manutenção e os investimentos
09:14vêm ali a partir do ano 3 ao ano 8,
09:17o que a gente vai começar a perceber efetivamente a partir de 2027.
09:21Você é o primeiro empresário que vem aqui e diz que está só uma alegria ao seu setor,
09:26que você está cheio de trabalhadores e de mão de obra.
09:29Eu estou entendendo isso.
09:31Se você está com 15, está tocando, está feliz, é porque mão de obra não está faltando.
09:36Mas isso você vai me responder no segundo bloco, tá?
09:39Nós vamos para um pequeno intervalo e voltamos já.
09:56Estamos de volta com Em Minas esta semana, recebendo Bruno Baeta Ligori,
10:00que é presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de Minas Gerais.
10:05Terminou o primeiro bloco falando com 15 novas concessões só na área rodoviária.
10:09É muita gente trabalhando.
10:12Não falta mão de obra na Construção Pesada?
10:16Carline, acredito que a mão de obra é o desafio de todos os setores hoje.
10:20Mas é um bom desafio.
10:22É um bom desafio.
10:24A gente busca hoje formar e qualificar muitos profissionais.
10:29Vamos precisar de atrair muita mão de obra para o nosso setor.
10:34Um setor que vem buscando formar, qualificar pessoas.
10:39Um setor que dá oportunidades de formação de uma carreira.
10:44A porta de entrada é fácil.
10:46E dali, cada profissional pode traçar seu caminho nas mais diversas áreas.
10:51Então, assim, é um bom problema.
10:54É um problema real.
10:56Vamos precisar de mais do que dobrar a nossa massa salarial nos próximos anos
11:00para dar conta desses projetos.
11:02Mas já temos algumas medidas e alguns planos em andamento.
11:05É verdade que vocês têm uma escola igual...
11:08Tem um Senai da Construção Pesada?
11:10É verdade.
11:12O Senai da Construção Pesada, voltado para a construção pesada,
11:16para a mineração e para a limpeza urbana,
11:18foi inaugurado em abril de 2025 e lá...
11:22Um ano?
11:22Um ano.
11:23A escola está fazendo um ano.
11:25Uma ação conjunta e vislumbrando todo esse grande projeto de investimentos
11:32que a gente tem para os próximos anos.
11:34O Senai montou essa escola, uma escola que ainda está iniciando,
11:40uma escola muito jovem, mas que tem absoluta convicção e certeza
11:44que vai nos ajudar a formar essa mão de obra,
11:46a trazer mais jovens para o nosso setor, a trazer mais mulheres.
11:51Queremos ver mulheres operando máquina,
11:53queremos ver mulheres trabalhando na área administrativa,
11:57na gestão, no gerenciamento das obras.
11:59Então, sim, esse é um projeto muito ousado, mas que nos dá muito gosto.
12:03O Bruno, eu estou falando do Senai, mas ele tem um nome específico?
12:06Centro de Formação Maurício Roscoe, ele fica em Betim.
12:09As informações sobre os cursos disponíveis podem ser encontradas
12:13tanto nas páginas e nos canais do Senai, do Cicepote, Instagram.
12:19Basta pesquisar.
12:20E me explica, ensina o que lá?
12:24Mexer com que máquina que mexe na construção pesada?
12:27É trator? É aquela escavadeira? É rolo compactador? O que?
12:31São todos esses.
12:32A gente acaba chamando tudo de trator, né?
12:35A gente tem rolo compactador.
12:36Desculpa, ignora isso.
12:37Não, mas é um nome até carinhoso, não nos incomoda.
12:42Cada equipamento tem o seu tipo, tem rolo compactador.
12:45A gente tem vibroacabadora, que é, por exemplo, a que faz o asfalto.
12:49A gente tem escavadeira, que são as máquinas usadas
12:52para fazer movimentação de terra de um lugar para o outro.
12:54As motoniveladoras, também conhecida como patrol.
12:57E no centro de formação, os meninos, os alunos, eles aprendem a lidar com todo esse maquinário?
13:05Sim, com esse maquinário, desde a parte do marco zero, parte teórica,
13:10onde vai aprender os cuidados que deve ter, o checklist, as questões de segurança.
13:16Depois vai para a parte prática, a escola tem uma área aberta,
13:20onde eles vão ter a oportunidade de operar as máquinas efetivamente,
13:24aprendendo na prática e dali já vão, certamente, sair para o mercado de trabalho.
13:31Tem máquinas mais complexas e tem níveis de operação.
13:35Então, quem entra do zero vai ter uma formação inicial,
13:40aprender as máquinas mais fáceis.
13:42E lá no próprio curso, hoje, já tem cursos mais rápidos, mais curtos,
13:48de desenvolvimento e de crescimento.
13:52Ou seja, uma pessoa que opera um rolo compactador,
13:55mas quer aprender a operar uma escavadeira ou uma patrol,
13:59ela vai lá para dentro, aprende a dinâmica do novo equipamento
14:03e por aí vai formando.
14:05O que a gente sente, assim, socialmente falando,
14:08é que às vezes há um preconceito.
14:11Ah, ele é peão de obra.
14:12Ah, ele trabalha de ajudante de pedreiro na obra.
14:15Mal eles sabem que hoje um pedreiro ou um chefe ganha muito mais
14:22que um profissional liberal, né?
14:24Isso existe, esse preconceito, também na construção pesada?
14:27Existe, existe.
14:28Infelizmente, existe ainda, mas vai mudar.
14:31Porque eu tenho também, a gente vai vendo como a tecnologia das máquinas mudou,
14:37como as pessoas precisam estar mais qualificadas.
14:39E chamar de peão de obra, não é esse o problema.
14:44Eu acho que a porta de entrada são as obras,
14:46mas as obras da construção pesada hoje dão uma condição de trabalho excepcional.
14:52Tem toda a questão de segurança do trabalho,
14:54tem toda a questão e a segurança das leis trabalhistas.
14:59E, como eu disse, dá para fazer uma carreira.
15:01Além das formações técnicas e dos cursos técnicos,
15:03que também tem os cursos lá na escola, são diferentes,
15:07em outra pegada diferente ali da operação de máquina.
15:11Mas quem quiser ser técnico de segurança, técnico de qualidade,
15:14técnico de engenharia, técnico de planejamento,
15:17toda a parte de cursos técnicos também tem lá na escola.
15:20Na década de 80, quando a gente ia fazer reportagem no centro-oeste brasileiro,
15:24que a soja estava começando a ser pujante, né?
15:27E via aqueles tratores subindo e descendo, aquelas propriedades sem fim.
15:33Hoje, quando a gente visita uma propriedade no centro-oeste,
15:37a gente vê um menino dentro, eu vou falar trator, tá?
15:41Porque eu só sei falar trator.
15:43Dentro de um trator que é uma semeadeira computadorizada,
15:48que ele abre três, quatro braços lateralmente,
15:52ele abre 20 metros para cá, 20, 30 para lá,
15:55e ele fica no ar-condicionado na cabine, na tela do computador,
15:59operando, fazendo um trabalho que 50 pessoas faziam.
16:03Com melhor qualidade, com mais produtividade.
16:07Então, esse é o caminho também na construção pesada.
16:10Esse é o caminho, faz parte.
16:11E essa tecnologia, a tecnificação, ela faz parte.
16:14As máquinas hoje têm muita tecnologia embarcada,
16:17então as pessoas precisam se qualificar.
16:19Antigamente, você tinha volante, marcha, câmbio de marcha.
16:23Hoje não, hoje é mais no teclado, joystick, então ar-condicionado,
16:29uma condição de trabalho muito boa, mas muito importante.
16:31Temos que qualificar mesmo e aproveitar esse momento que Minas vive,
16:36com esses investimentos privados que vêm pela frente,
16:39trazer mais mão de obra realmente para o setor.
16:42Para a gente concluir aqui na TV,
16:44que depois nós temos um bloco exclusivo lá no YouTube, no portal Y,
16:51voltei há pouco de uma viagem na Noruega que você conhece muito.
16:55Peguei um túnel de 28 quilômetros que furava um fiorde
17:02e não atacou em nada a questão da natureza ou a atração.
17:08Não matou nenhuma minhoca, nenhum sapinho, nem nada.
17:11Aqui no Brasil a gente não consegue fazer nada, às vezes.
17:14Não consegue fazer um túnelzinho em BH que vai matar um bichinho
17:18ou um índio que morou lá, ou coisa com todo o respeito.
17:22População originária, não índio, com todo o respeito.
17:25Isso atrapalha um pouco aqui no Brasil?
17:28Atrapalha e a gente tem esse compromisso e essa necessidade
17:34de comunicar melhor e de explicar melhor.
17:36É perfeitamente possível compatibilizar os projetos de infraestrutura,
17:40o desenvolvimento com a preservação ambiental,
17:43cuidado com o patrimônio histórico.
17:46O Rodoanel eu acho que é o melhor exemplo que a gente pode trazer.
17:50O Rodoanel já tem dinheiro, tem empresa contratada,
17:53tem um projeto executado e está travado na justiça por alguns problemas.
17:57A gente precisa destravar, a gente precisa unir a iniciativa privada,
18:03a sociedade civil organizada, governo, comunicação e mídia
18:06para que os nossos projetos aconteçam.
18:08Ainda mais quando tem dinheiro, como é o caso do Rodoanel.
18:11Ninguém quer brigar, né?
18:12Todo mundo quer a solução.
18:14E quando a gente tem essas travas, a gente vai ficando para trás.
18:17A gente já falou aqui que a nossa infraestrutura é muito pequena e muito limitada,
18:20mas muito mais do que isso.
18:21Quando a infraestrutura não chega, a gente acaba comprometendo saúde pública,
18:25segurança pública, a gente acaba tendo risco de acidente,
18:28a gente acaba segurando o desenvolvimento,
18:30segurando o desenvolvimento imobiliário, geração de empregos e por aí vai.
18:34Então, eu acho que o grande compromisso que nós temos
18:37é realmente pensar em infraestrutura como trazendo desenvolvimento,
18:41sempre compatibilizando com preservação ambiental,
18:44com cuidado com o patrimônio.
18:45Mas a gente precisa fazer com que o Brasil deixe de ser o país do futuro
18:50e passe a ser o país do presente.
18:51Do agora?
18:52Do agora.
18:53Obrigado pela sua presença aqui na TV Alterosa.
18:57Nós vamos continuar o nosso bate-papo só lá no canal do YouTube do Portal Aire.
19:01Tá bom?
19:01A você de casa que nos acompanhou na TV, corre para a internet.
19:05Muito obrigado pela presença e até a maturação.
19:33E o Bruno Baeta Ligório continua aqui com a gente,
19:36presidente do Cicepote, agora só aqui no canal do Portal Aire, no YouTube.
19:41Terminamos o Papo na TV falando sobre de que maneira
19:46alguns entraves de meio ambiente ou históricos patrimoniais
19:50podem atrasar o avanço das obras de infraestrutura.
19:55E a gente falou do Rodoanel.
19:56Dei o exemplo da Noruega e falei que aqui, às vezes,
20:00uma população originária ou um quilombo ou coisa parecida
20:06pode travar uma obra que vai beneficiar milhões de pessoas.
20:10O Rodoanel.
20:12Qual é o problema?
20:14Dá para chegar no acordo?
20:15Dá para desviar a estrada?
20:17Dá para fazer uma benfeitoria ou uma contrapartida?
20:20Dá para buscar uma solução?
20:23Não só dá, como nós precisamos buscar essa solução, né, Carline?
20:27Eu acho que a região metropolitana de Belo Horizonte,
20:29e não vou falar só da região metropolitana de Belo Horizonte,
20:32eu acho que o Rodoanel é um projeto de extrema importância
20:35para o estado de Minas Gerais.
20:37A gente estava falando há pouco também dos novos projetos de concessão,
20:41como isso pode trazer desenvolvimento.
20:43Mas imagina, temos a concessão da 381 Norte, sentido Vale do Aço,
20:51o que vai trazer muito desenvolvimento para a região, por exemplo,
20:54do Vale do Aço, do Vale de Jequitinhonha, Mucuri.
20:56Mas imagina uma indústria instalada ali,
20:59que precisa mandar a sua mercadoria para o estado de São Paulo.
21:02Ninguém vai montar uma indústria lá,
21:04porque mesmo que a 381 esteja adequada
21:08e tenha os seus investimentos feitos,
21:09chega na região metropolitana e fica travada.
21:11Se a gente for entrar na questão das vidas,
21:14dos acidentes do nosso anel rodoviário aqui, nem se fala.
21:17Então o Rodoanel é um projeto vital,
21:19ele está travado hoje na justiça
21:22por uma questão de comunidades quilombolas,
21:25ele não passa em nenhuma,
21:27ele passa, se eu não me engano,
21:30a que estaria mais perto, a que está mais perto dele,
21:34está a 1,9 quilômetros ou 1,7 quilômetros do Rodoanel
21:38e seguimos travado.
21:40Com dinheiro garantido para a obra,
21:42com empresa contratada,
21:44temos que arrumar uma forma de destravar isso.
21:47O povo mineiro, o povo de Belo Horizonte,
21:50da região metropolitana, precisa dessa obra.
21:52É uma... dá vergonha, né?
21:55A gente gosta de viajar para aprender.
21:58Mas você pega um caminhoneiro subindo de São Paulo,
22:03tendo que ir para Ouro Preto, para o Rio de Janeiro.
22:06Esse caminhoneiro, ele é obrigado a pegar a Amazonas inteira,
22:11aquele pedaço, Betinho, Contagem,
22:14para pegar uma coisa ridícula, que é um acesso a um anel
22:17que virou uma avenidinha de BH,
22:19para poder sair lá na frente de novo,
22:22para poder pegar...
22:24Já podia ter saído lá atrás,
22:26esse caminhão já tinha chegado,
22:28essa zona já tinha chegado no Rio.
22:29Isso custa competitividade para o país,
22:32isso custa geração de empregos,
22:35prejuízo.
22:36E acrescento até um fato interessante aqui,
22:40uma reflexão, Carlinhos.
22:42Nós temos a reforma tributária pela frente.
22:44E a reforma tributária,
22:46no meu ponto de vista,
22:49uma das boas coisas que ela traz,
22:52ela acaba com a guerra fiscal.
22:54Então, a guerra fiscal é cada Estado
22:56vai atraindo investimento com base em subsídio.
22:59Com a reforma tributária, isso acaba.
23:02E aí, daqui a seis, sete, oito anos,
23:05quando acabar essa transição,
23:06para onde os investimentos vão?
23:08Para onde as indústrias vão?
23:09Para onde a geração de empregos vai?
23:11Certamente para onde tiver uma melhor infraestrutura.
23:13E se Minas Gerais não fizer esse para-caso agora,
23:16para ali em 2031, 32, 33,
23:19estarmos com essas obras prontas,
23:22nós vamos perder muitas oportunidades
23:24para outros Estados.
23:26Qual o Estado que dá show hoje de infraestrutura?
23:28São Paulo. São Paulo sai na frente e sempre saiu.
23:32São Paulo tem 45% da malha rodoviária
23:35concedida desde ali da década de 90.
23:38Minas Gerais, em termos de malha estadual,
23:40hoje nós estamos atingindo 10% da malha.
23:43São Paulo sai na frente.
23:44Agora, o Centro-Oeste todo,
23:46Mato Grosso, Goiás, Paraná,
23:48tem feito um baita para casa,
23:50tem investido em infraestrutura,
23:52tem planejado essa infraestrutura de longo prazo.
23:54Minas tem um bom legado
23:55com essas 15 concessões novas que eu te coloquei,
23:59tanto estaduais quanto federais.
24:00Então, já temos um bom arranque.
24:02Precisamos agora dar continuidade
24:03e pensar nos próximos investimentos.
24:05Você é um presidente que viaja muito,
24:07já vi que é apaixonado pela Escandinávia.
24:10Tive que pegar a minha colinha aqui,
24:12Oressum,
24:13queria saber o nome daquele canal.
24:15Estava eu indo de Copenhague,
24:17de Damarca,
24:18ia para outro país,
24:19ia para o sul da Suécia,
24:21a primeira cidade que eu recomendo para todos,
24:23que é Malmo,
24:24uma cidade maravilhosa.
24:26Vai como?
24:27Vai como?
24:27Vai ter um canal gigante,
24:29canal de Oressum,
24:30tem que atravessar,
24:30é balsa, barca?
24:31Eu falei,
24:32não, vai de trem.
24:34Trem?
24:34Pode ir.
24:35Tem ponte?
24:36Não, não tem ponte, não.
24:37Eu falei,
24:38e aí o trem?
24:38Ele falou,
24:39é submarino.
24:40Aí eu falei para a minha esposa,
24:43é nesse que eu quero ir.
24:45Chega na beirada,
24:46ele simplesmente,
24:47vou para debaixo da água,
24:49o túnel é debaixo,
24:50debaixo do subsolo da água do fundo,
24:53e sai do outro lado na Suécia.
24:55Cinco minutos,
24:56cinco minutos a travessia.
25:00Vai fazer um buraquinho aqui do lado do Rio das Velhas.
25:04Vai fazer um buraquinho,
25:06para catar minhoca para pescar.
25:08Não,
25:09porque o meio ambiente,
25:10aí eu pergunto para você,
25:12a gente não tem competência,
25:14vocês não têm capacidade,
25:16para fazer esse mesmo tipo de obra aqui?
25:19Engenharia não falta,
25:20Carlinhos.
25:20A engenharia,
25:21a tecnologia de engenharia,
25:23ela hoje já está no mundo inteiro,
25:27e vou além,
25:28Brasil sempre foi exportador de engenharia.
25:31Nós tivemos grandes empresas,
25:33o Brasil sempre levou as nossas empresas para fora,
25:36Médio de Júnior,
25:37Andrade, por aí vai.
25:38Andrade Gutiérrez.
25:39Sempre exportamos engenharia.
25:40Fazendo rodovias no mundo inteiro.
25:42E aí a gente volta no início da conversa.
25:45Aonde que nós nos perdemos?
25:46Por que que isso aconteceu?
25:47Por quê?
25:48Quando o Brasil parou de investir em infraestrutura,
25:50parou de planejar o longo prazo.
25:52Quando a gente para de investir...
25:53De 80 para 90?
25:54Eu diria que de 80 para 90 e de lá para cá a coisa vem piorando,
25:58exceto nesses últimos anos com esses projetos de concessão,
26:02essa virada de chave que ajuda muito,
26:04não resolve tudo, mas ajuda muito.
26:07E quando a gente olha para fora,
26:08qualquer um desses exemplos,
26:09a gente vê que a infraestrutura,
26:11o investimento em infraestrutura,
26:13ele acontece antes do desenvolvimento.
26:15Então, muitas vezes você vê estradas duplicadas,
26:21grandes rodovias e nada em volta.
26:23E aí, 15, 20 anos depois, aquilo está tudo ocupado.
26:26No Brasil, nós estamos sempre atrasados.
26:28A gente ocupa e depois a gente vai pensar naquela infraestrutura
26:31que deveria ter sido feita antes para puxar o desenvolvimento.
26:34Faz a estrada, deixa todo mundo invadir o entorno
26:37para depois não saber o que fazer,
26:39porque daí tem que tirar, mas daí não pode.
26:41É isso.
26:42Mas, ô Carlin, pegando especificamente no ponto das questões ambientais,
26:46e sou um grande defensor da proteção ao meio ambiente,
26:50acho que todos somos.
26:50Quem não é hoje.
26:51Nós tivemos recentemente o novo marco legal do licenciamento ambiental,
26:55uma ferramenta extremamente importante
26:57que eu acho que vai ajudar a destravar esse tipo de coisa muito pequena.
27:02E eu gosto sempre de falar,
27:05licenciar uma atividade é o ato de trazer o desenvolvimento
27:10ou a obra da forma certa.
27:12Travar um licenciamento não é certo.
27:14Quando a gente passa por um processo de licenciamento,
27:17vê as contrapartidas, vê o que...
27:19É legal, é legal.
27:19O impacto sempre tem, algum impacto sempre tem,
27:21mas o ato de licenciar, você contorna esses impactos,
27:24você dá as contrapartidas.
27:26Isso é o que a gente precisa, é destravar,
27:27e não deixar isso travar.
27:28Quando os representantes do povo de Minas Gerais
27:32vieram da Vila Rica, Ouro Preto, a cavalo,
27:35visitar aqui o terrenão que ia ser Belo Horizonte,
27:39não tinha nada.
27:40Teve que fazer, né?
27:41Sempre.
27:42E aí está hoje.
27:43Um dia foi feito.
27:44Um dia foi feito.
27:45Bruno, muito obrigado, viu?
27:46Eu te agradeço.
27:47Prendi muito com você.
27:48Obrigado.
27:48Continue voltando e sucesso aí.
27:50É um prazer conversar, fazer esse bate-papo aqui,
27:53levar aí para todos os telespectadores um pouquinho da nossa visão.
27:56Obrigado.
27:56Gente, obrigado a vocês pelo carinho da companhia na TV Alterosa,
27:59também aqui no Portal A e na edição desta segunda-feira
28:03no Impresso do Estado de Minas,
28:04você acompanha toda a entrevista do Bruno.
28:06Muito obrigado.
28:06Obrigado.
28:09Obrigado.
28:09Obrigado.
28:20Obrigado.
28:22Obrigado.
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