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  • há 2 dias
Casas da Mulher Empreendedora em Feu Rosa e Laranjeiras, na Serra, oferecem aulas de informática, estética e crochê para romper dependência financeira de agressores.
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Transcrição
00:00Depois de anos marcados pela violência, muitas mulheres encontram nas políticas públicas a chance de recomeçar.
00:08O depoimento que a gente vai ver agora da Ediane é o retrato de um machismo estrutural que ela era
00:16vítima
00:17e que violenta as mulheres em muitos relacionamentos que se dizem amorosos.
00:23Na outra ponta está a Josiele, que também sofria agressões físicas e psicológicas.
00:31Agora veja só, ela relata que em um dos casos de agressão, o ex-companheiro batia uma colher no corpo
00:38dela e dizia que estava brincando.
00:42E o ciclo dessa violência sempre era retomado.
00:46As duas, gente, conseguiram dar um basta com essa ajuda que eu falei ali no início.
00:51Na Serra, cursos de qualificação, apoio social e acolhimento têm ajudado vítimas a conquistar autonomia, conquistar renda, conquistar uma nova
01:02perspectiva de vida.
01:04Vamos conhecer agora, eu te convido a conhecer a história, a vida dessas duas mulheres que conseguiram vencer, assim como
01:11muitas mulheres podem conseguir.
01:13Vamos ver.
01:18Com paciência e dedicação, a Ediane aprende uma nova habilidade e ofício.
01:24No crochê, ela enxerga a possibilidade de deixar um passado de violência para trás.
01:30Falei com a professora que eu não era capaz, que eu era um inútil, que me fizeram acreditar que eu
01:36era um inútil.
01:37O que a gente fez acreditar que você era um inútil?
01:41Pela violência que eu passei, pelo meu ex-marido e pela minha família.
01:46Então ele falava que eu não iria conseguir nada na vida, eu não seria capaz de nada sem ele.
01:54Então pra mim eu sempre dependeria de um homem pra tudo.
01:57Não deixava pentear meu cabelo, ele não permitia eu sair, não permitia vestir minhas roupas, me queimava com isqueiro, tomava
02:07meu dinheiro.
02:08Ele me dava remédio pra dormir sem eu querer, me dava remédio a mais, me dopava e eu acordava só
02:16no outro dia.
02:17E acordava com dor.
02:22Com a presença do filho autista nas aulas, ela é uma das mulheres que está se qualificando através das políticas
02:28públicas da Prefeitura da Serra.
02:32Um dos locais onde cursos são oferecidos de forma gratuita são as casas da mulher empreendedora, localizadas em Felrosa e
02:39Laranjeiras.
02:40Além de polos nos bairros que levam a oportunidade para mais mulheres.
02:45Nós temos parcerias com cursos de eletricista predial, elas já saem direto para o mercado de trabalho,
02:52tanto para compor equipe em empresas ou para terem um negócio próprio, informática, recepcionista em escolas, auxiliar de secretaria escolar.
03:04Como tem também o lado da beleza, que elas gostam muito, curso de maquiagem, crochê, que elas gostam também e
03:12está em alta no mercado.
03:14Então a gente busca ouvir as mulheres para entender qual é o interesse delas, para que elas façam os cursos
03:21naquelas áreas que elas mais se predispõem.
03:24Para mim, eu não posso trabalhar fora como eu tenho o Miguel em nível 2, autista.
03:30E como ele não fala, aí não posso ficar deixando com qualquer pessoa que tem crise.
03:35E a professora, a Rogéria, ela me abraçou com o Miguel, junto, que é a única criança da sala.
03:43Ela me abraçou, me, tipo assim, com carinho e ternura de mãe, né?
03:50E falou assim, ó, vou te ensinar você a produzir.
03:54Não vou te ensinar você a fazer crochê, vou te ensinar você a produzir.
03:58Então ela enxergou em mim algo capaz.
04:02Pelas estatísticas, a Serra é um município com o maior número de casos de violência doméstica.
04:08Só esse ano foram quase 2 mil registros.
04:11E é justamente para enfrentar essa dura realidade que existem espaços como esse.
04:16Atualmente, mais de 400 mulheres já foram atendidas pelo centro de referência do município.
04:22E é importante que as mulheres saibam que se a violência fecha portas,
04:27quando elas decidem procurar ajuda, muitas outras se abrem para elas.
04:40O município conta com outras estratégias para levar autonomia a mulheres em vulnerabilidade.
04:47A Josiele, por exemplo, recebe o aluguel social.
04:50O primeiro passo foi a denúncia, né?
04:52Que eu tomei a iniciativa de fazer a denúncia.
04:54E depois perguntei qual era o próximo passo que eu deveria dar.
04:58Foi quando eles me orientaram a procurar o CRANFIS, né?
05:01Que é o atendimento da mulher.
05:03E ali eles me orientaram e até hoje, né?
05:05Eu sou orientada, né?
05:07Através deles.
05:08Aí você, inclusive, teve direito a um benefício, né?
05:11Sim, graças a Deus.
05:12Eu tenho três filhos e atualmente não tem como eu estar trabalhando na minha profissão.
05:17E eu fui beneficiada, né?
05:19Pelo aluguel social, que tem me ajudado muito, né?
05:22Que eu tô construindo a minha casa do Zé.
05:29Ela conta que no início do ano decidiu encerrar um relacionamento abusivo
05:33que durou 10 anos.
05:35E o apoio que tem recebido tem feito a diferença.
05:38Quem sofre um relacionamento assim é muito difícil da gente sair.
05:41Principalmente eu, né?
05:42Com três filhos pequenos ainda.
05:45Então a gente pensa muito na questão financeira e fora, né?
05:48A violência psicológica que a gente vive ali naquele relacionamento abusivo.
05:52Então foi quando os próprios vizinhos começaram a ouvir o que tava acontecendo dentro da minha casa
05:56e começaram realmente a se preocupar comigo.
05:59Inclusive foi até uma conhecida minha, né?
06:02Que escutou que uma outra vizinha relatou pra ela o que eu tava vivendo.
06:06E ela começou a me orientar a sair daquilo.
06:09Você sofria agressão física?
06:11Era outro tipo de agressão?
06:12O que era exatamente?
06:13Então, a agressão física eu sofri uma vez, mas o agressor ele sempre vai falar que tá brincando.
06:19Uma vez eu tava sentada comendo e ele me deu uma colherada na perna que ficou a marca,
06:24mas ele falou que, relatou que tava brincando.
06:30Histórias de mulheres como a Josiele e a Ediane mostram que um recomeço livre da violência é possível.
06:38Em três aulas eu já fiz uma bolsa, eu terminei um tapete dela e tô com duas encomendas de tapete
06:46pra mim fazer.
06:48E já tô comprando linha da mão dela, já pra mim começar a produzir.
06:54E tô com encomenda de aprender bico.
06:56Então, eu vou começar o bico lá na aula e vou terminar em casa e vou ganhar dinheiro com isso.
07:02Na verdade, eu já me sinto em paz.
07:04Já me sinto muito em paz porque eu não conseguia raciocinar mais nada.
07:08Eu me sentia muitas vezes inútil.
07:10Eu nunca sabia qual que seria a reação da pessoa.
07:13Tanto que hoje eu tento trabalhar pela internet, né?
07:17Que é um meio que eu consegui por conta dos meus filhos e ficar com eles.
07:21E isso sempre foi um empecilho pra ele, porque ele sempre desacreditou, entendeu?
07:25Nunca me apoiou em nada.
07:27Isso pra ele sempre foi um problema.
07:29Sempre quando eu queria avançar, entendeu?
07:31Ele queria, tipo, que interromper, sabe?
07:33Me colocando, falando coisas negativas.
07:37Então, hoje eu vejo assim, eu tô investindo nisso mesmo.
07:39E creio que Deus já tenha abençoado, porque eu me sinto em paz hoje, sabe?
07:44Pra prosseguir mesmo e cuidar dos meus filhos.
07:59Olha, em primeiro lugar, a gente gostaria de agradecer a Josiele, a Ediene,
08:04por ter compartilhado com a gente essas histórias de superação.
08:09Passaram por esse momento, conseguiram ajuda e estão seguindo a vida.
08:14Porque, gente, os números mostram que a violência contra a mulher
08:17continua sendo uma realidade alarmante aqui no Espírito Santo.
08:21Só neste ano já foram registrados 14.829 casos de violência contra a mulher.
08:29São quase 15 mil mulheres que sofreram violência.
08:33O dado que mais chama a atenção é que a maioria das vítimas está na faixa dos 18 aos 24
08:41anos.
08:42Justamente um período em que muitas mulheres estão iniciando a vida profissional,
08:47construindo a independência.
08:49Um outro dado preocupante é que 10.050 casos de violência doméstica aconteceram dentro de casa.
08:58Um lugar que deveria representar proteção, mas que para milhares de mulheres ainda é o cenário da agressão.
09:06E mesmo com decisões judiciais, foram 1.616 registros de descumprimento de medidas protetivas.
09:16O que reforça a necessidade de fiscalização e de uma rede de proteção cada vez mais eficiente.
09:24A Serra, como a gente viu, lidera o ranking estadual com 1.948 casos de violência doméstica,
09:31mas é seguida por Vila Velha, 1.568, Cariacica, 1.204 e Vitória, 1.028.
09:40Todas as cidades da Grande Vitória.
09:42Por isso, gente, iniciativas como as Casas da Mulher Empreendedora,
09:47o Atendimento Psicossocial, a Orientação Jurídica, a Patrulha Maria da Penha
09:53e todos os programas de proteção têm um papel que vai além do acolhimento.
09:57Ajudam a romper esse ciclo da violência, oferecendo segurança, autonomia financeira
10:03e a oportunidade de um recomeço para essas mulheres, uma nova vida.
10:08Na Serra, a Casa da Rosa, de Feu Rosa, fica na Praça das Dálias.
10:13Então fica aqui o nosso pedido.
10:16Pode encher a tela, Leandro.
10:18A Band não se cala, essa aí é a nossa campanha.
10:22Você, mulher que está vendo agora, você pode buscar ajuda nas casas de acolhimento.
10:28Você que é vizinho, pode fazer a sua denúncia pelo 181, pelo 190.
10:35Nós não podemos naturalizar que é mais uma violência contra a mulher.
10:40Nenhuma violência contra a mulher é mais uma.
10:44É a violência e a sociedade precisa agir.
10:47A Band não se cala e a TV Tribuna também não se cala.
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