Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 5 dias
Investigado terá de cumprir medidas cautelares, como não sair da Grande Vitória e manter distância da vítima; especialista da Ufes critica brechas na lei que permitem liberdade após "racismo explícito".
--------------------------------------
Notícias relacionadas:
https://tribunaonline.com.br/policia/suspeito-e-detido-com-faca-apos-ameacar-matar-pessoas-negras-em-jardim-da-penha-315948?_=amp
--------------------------------------
💻 Confira as últimas notícias do Espírito Santo e do Mundo no nosso portal 👇
https://tribunaonline.com.br

📰 Notícias na palma da sua mão.
Assine A Tribuna e tenha acesso ao nosso app 👇
https://atribunadigital.com.br/assinatura/

🎙️ Assista aos nossos podcasts exclusivos de esporte, negócios e muito mais em
http://tribunaonline.com.br/podcasts

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00O sociólogo Roberto Barcelos Ferranti, de 47 anos, preso após ser levado pela Guarda Municipal à Delegacia Regional de Vitória,
00:10foi autuado em flagrante pelos crimes de injúria racial e ameaça, depois do registro desse vídeo. Vamos ver.
00:20Você acha que eu vou lá fazer racismo? Eu não vou. Eu vou só dar na tua cara, não é
00:24isso que eu queria?
00:25Você quer tomar na cara, né, negão? Você quer tomar na cara, né, negão?
00:32Sou o quê? Eu sou o quê? Eu sou o quê? Fala aí.
00:34Você é preto, negro e burro. Onde tem racismo aí? Você é preto, negro e fora isso, é um burro.
00:46Fechou, pô.
00:47É, fechou? Onde tem racismo aí?
00:50Eu não sei, pô.
00:51É a tua raça, seu merda.
00:52Eu não sei, pô.
00:52Se você fosse um negro, que tivesse orgulho, você ia dar a sua palma da mão pra ser escura também,
01:02seu merda.
01:03Aquilo que eu f***, não dá f***.
01:06Você não sabe nada, nada, nada, seu merda.
01:10De preto e de negro, você tá...
01:14Você tá...
01:16Não, vai c***, rapaz.
01:18Quer me partir esse c*** ainda?
01:23Eu vou te localtear, hein, negão?
01:25Vou te localtear, hein, negão?
01:28Você não tá falando...
01:28Você tá falando pro branco da raça.
01:29Saiba, se afasta. Se afasta de mim.
01:31Se afasta de mim.
01:32Se afasta de mim, cara.
01:34Se afasta de mim.
01:43Se afasta de mim.
01:44O direito foi encaminhado ao sistema prisional.
01:46Mas, após passar por uma audiência de custódia, a Justiça concedeu liberdade provisória, sem pagamento de fiança.
01:54Apesar da soltura, o investigado deverá cumprir medidas cautelares, de acordo com a Justiça.
02:00Entre elas, não poderá sair da grande vitória sem autorização judicial.
02:05Deverá comparecer a todos os atos do processo e manter o endereço atualizado.
02:11E também, de acordo com a Justiça, está proibido de frequentar bares, boates e estabelecimentos semelhantes,
02:18além de manter qualquer tipo de contato com a vítima.
02:21Em nota, a defesa de Roberto Ferrante informou que a Justiça rejeitou o pedido do Ministério Público
02:29para que ele utilizasse tornozeleira eletrônica.
02:32E os advogados afirmaram ainda que apresentaram documentos antes da audiência de custódia
02:38e defenderam que não havia necessidade da medida.
02:42Afirmou a decisão que respeita a legislação e os princípios do devido processo legal à decisão da juíza.
02:49E disse que vai continuar acompanhando o caso durante a tramitação da ação, isso tudo à defesa desse sujeito aí.
02:57Mas eu estou aqui com a secretária de Ações Afirmativas e Diversidade da UFIS, a doutora, professora Patrícia Rufino.
03:05Doutora, muito obrigado pela sua presença, pela sua participação.
03:08E eu já gostaria de fazer uma pergunta, por que que diante de tamanho vídeo, tamanhas declarações caluniosas, racistas,
03:20esse sujeito, ele é colocado sob leis e quando os aplicadores da lei vão fazer a avaliação,
03:31acabam soltando, sem pagar fiança, sem tornozeleira.
03:35O que que está acontecendo na nossa sociedade, doutora? Boa tarde.
03:38Então, boa tarde, Jorge. É um prazer estarmos aqui dialogando novamente sobre a questão.
03:44Só que é não tão bom assim, né?
03:47Poderíamos estar discutindo sobre outros processos educativos em relação a essa situação de racismo explícito.
03:56onde o sujeito, ele afronta, ele desrespeita, ele agride, ele incita a violência.
04:04E eu queria fazer, para além da questão que você trouxe, uma outra reflexão.
04:08Se por acaso, o outro sujeito, o funcionário público, tivesse caído na situação de entrar na discussão
04:18e agredi-lo também, violentando, eles trocassem essas violências físicas e fossem presos,
04:26será que, no outro dia, esse cidadão preto também estaria livre da mesma forma?
04:33Até que ele provasse que foi incitado, até que ele provasse que foi desrespeitado,
04:39até que ele constituísse um advogado, porque financeiramente, vamos supor,
04:43que ele poderia ou não ter condições de conseguir ser um advogado.
04:46Será que a situação seria a mesma?
04:48Então, eu retorno à sua pergunta, dizendo que existe um processo de flexibilidade,
04:55inclusive o Brasil é experto em criar leis e que tenham problemas na sua funcionalidade.
05:01E este é um dos problemas.
05:03Brechas, no que a gente identifica como um processo extremamente complexo,
05:07que está ali de um racismo explícito na sua frente,
05:11de coisas que foram registradas e evidenciadas,
05:14e no outro dia a gente vê uma situação dessa.
05:17Então, nós identificamos as brechas, nós identificamos problemas, lógico,
05:21mas, claro, existe aí também uma relação de racismo,
05:26quando você identifica que um sujeito branco, ele pode agredir,
05:31no outro dia, ele também é liberado, ele pode ser suscetível a fazer novamente,
05:36continuar novamente causando as mesmas situações de desrespeito e de racismo,
05:40porque não é preconceito, é racismo.
05:43Então, a gente precisa nominar também o crime que foi identificado.
05:46E, professora, tem um momento ali da fala que ele diz o seguinte,
05:51ele profere todos os atos racistas e diz assim,
05:55aonde está o racismo aqui?
05:57Ele faz uma questão, né?
05:59Essa questão, quando os racistas fazem esse tipo de questão,
06:03o que está envolvido nisso estruturalmente?
06:06Explicitamente o racismo, o ódio de racismo, que é cultivado a partir dessas relações de impunidade,
06:13dessa falta de educação, de desrespeito, que muitas vezes inicia-se,
06:18e na maioria das vezes, na própria família, se perpetua nas instituições, nas escolas e em outras.
06:24Porque enquanto nós não tomarmos uma providência e medidas mais sérias e rígidas
06:29com relação a esse tipo de crime, essas coisas persistirão.
06:32Então, acho que a sociedade precisa entender de que maneira a gente precisa corrigir esse tipo de atitude.
06:40A gente tem aqui um posicionamento também da advogada, do sociólogo, né?
06:46Rayula Simonacci. Vamos ouvir aí, por favor.
06:49A defesa de Roberto Ferranti vem esclarecer que, após a audiência de custódia,
06:54ele foi posto em liberdade, tendo em vista que a juíza que presidiu a audiência
06:59entendeu que não havia elementos suficientes para que ele permanecesse preso.
07:05Dessa forma, ele permanece à disposição da justiça, respondendo em liberdade à acusação.
07:12Que, neste momento, ainda trata-se de uma investigação em fase embrionária,
07:18onde ainda estão sendo colhidos todos os elementos para que, posteriormente,
07:24ele responda por qualquer acusação contra ele.
07:28Pois é, né? Estamos trazendo a posição aí do outro lado.
07:32Agora, para a gente finalizar, professora, o que que precisa, efetivamente,
07:37para que esses casos, eles tenham o desfecho esperado pela sociedade,
07:42uma sociedade democrática, em que a gente precisa defender exatamente as pessoas
07:47que estão sendo ameaçadas, que estão sendo aviltadas dessa forma?
07:52Eu acho que nós precisamos ampliar a relação das políticas, né?
07:56Principalmente as políticas de enfrentamento ao racismo, ao preconceito, à discriminação.
08:01Eu acho que são questões necessárias, né?
08:04Ampliarmos em termos de pensarmos os processos educativos, pensarmos políticas públicas,
08:09financiamento para que os programas aconteçam, né?
08:12Colaborações para que os núcleos de pesquisa possam aí evidenciar os observatórios,
08:17ainda mais o quantitativo de fatos, de casos que acontecem,
08:21porque nós precisamos que as denúncias aconteçam para que a gente possa ainda,
08:26além de notificá-las, transformá-las em processos, procedimentos das políticas públicas.
08:31Então, é necessário que a gente tenha o conhecimento,
08:34é necessário criarmos ainda mais processos educativos para que,
08:38não só o combate, mas para que as denúncias também aconteçam.
08:42Perfeito.
08:43Conversei aqui com a doutora Patrícia Rufino,
08:46secretária de Ações Afirmativas e Diversidade da UFIS,
08:49e é uma luta que vai continuar e nós vamos vencer, né, professora?
08:53Jorge, eu espero que sim, né?
08:55A gente não pensa isso para um universo tão próximo,
08:59mas que as gerações sejam educadas sobre isso.
09:02Eu queria dizer uma coisa também.
09:04Esses casos parecem muito com aqueles que começam lá na escola,
09:07lá no ensino fundamental, em que muitas vezes a criança preta é agredida
09:12e sofre essas agressões no silêncio ou no convívio com os outros colegas,
09:16e quando acontece um caso de violência, muitas vezes a criança preta é expulsa
09:20da escola ou do seu ambiente de trabalho.
09:23Então, pensar sobre isso, porque é necessário que a gente também eduque os nossos professores,
09:28que a gente continue educando a nossa sociedade,
09:30para que casos como esse não aconteçam mais.
09:33Obrigado, professora.
09:35Eu que agradeço.
09:37Obrigado.
09:38Obrigado.
09:39Obrigado.
Comentários

Recomendado