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  • há 13 horas
Especialista alerta que o escape de xixi, embora comum após a gravidez, é sinal de disfunção muscular e pode ser revertido com fisioterapia específica.
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Transcrição
00:00Você aí de casa já passou por essa situação? Um episódio de escape de urina.
00:06Às vezes você vai rir, vai espirrar, fazer atividade física, algum esforço em casa mesmo, minha amiga.
00:12Você tá arrastando os móveis ali dentro de casa. Não é só mulher não, tá?
00:16Muita gente acredita que isso é normal. As mulheres, principalmente, depois da gravidez.
00:21É muito comum isso acontecer. Mas os homens também, com o passar dos anos, podem sofrer com essa incontinência.
00:29Mas a verdade é que não é normal não, tá? Apesar de ser um problema muito comum, o escape de
00:34urina ainda é cercado de vergonha.
00:36Às vezes a pessoa não tem nem coragem de procurar uma ajuda ou de se abrir com alguém pra falar
00:42que isso tá acontecendo.
00:43E aí fica sofrendo em silêncio. Não vamos sofrer em silêncio não. Cola aqui no Tribuna Amanhã.
00:48Vamos tirar nossas dúvidas agora. Aproveita essa oportunidade que é sobre isso.
00:52A nossa entrevista ao vivo. Eu tô aqui com a Aline Alcoforado, que é doutora em fisioterapia pélvica.
00:59E com a Kátia Carvalido, que é biomédica. Bem-vindas, meninas.
01:03Obrigada.
01:04Bom dia pra vocês.
01:06Deixa eu começar batendo um papo aqui com a Kátia.
01:09Porque a Kátia teve esse problema, né, minha amiga? Como é que foi isso?
01:13Menina, olha só. Eu sofria de dores nas relações sexuais. Eu sofria de escape urinário por frouxamento na atividade física.
01:25Frouxamento da parede da pélvica. É uma coisa que eu não sabia. E a Aline chegou na minha vida pra
01:31justamente ajustar esse ponto aí que a gente sempre tem vergonha de falar, né?
01:37Na academia, às vezes, com uma atividade intensa.
01:40É lá, você, ó, correndo.
01:42Correndo. Até não espirrar.
01:45Então, assim, o trabalho da Aline foi de suma importância. Por quê?
01:49Ela fortalece essa parede da pélvica, fazendo com que ela fique rígida e você consegue controlar a sua urina.
01:56Consegue... A dor na relação é uma coisa que eu achava que era normal.
02:00Olha só.
02:01Ela descobriu que não é normal. Ela conseguiu tocar e achar o problema no músculo, né?
02:10Tinha uma rigidez muscular. Então, com a tecnologia que ela tem da fisioterapia e o conhecimento dela,
02:17ela conseguiu trazer esse relaxamento muscular. E hoje eu não sinto dor mais e consigo controlar o escape de xixi
02:25também.
02:26Quando que começou isso? Foi do nada, assim, Kátia?
02:28Depois da gravidez, né? A gestação.
02:31Depois da gestação.
02:33Exatamente.
02:33E aí você percebeu, assim, começou a perceber no dia a dia?
02:36Dia a dia.
02:38Olha só.
02:38E a gente não conta pra ninguém, né? É uma coisa que a gente tem até a vergonha.
02:42Com certeza.
02:43É.
02:44E aí, depois de quanto tempo só que você foi procurar ajuda? Você ficou sofrendo quanto tempo com isso, com
02:48esse problema?
02:49Não, aí eu nem sabia que tinha tratamento pra isso, né?
02:52É. Só conhecendo a Aline através de grupos que a gente participa e o trabalho dela, da divulgação do trabalho
03:01dela,
03:02que eu conheci e vi que aquilo era importante pra mim.
03:07Hoje tá 100% você. Tô vendo você ali correndo, fazendo musculação, pegando peso.
03:15Tranquilo, 100%.
03:16Olha só.
03:17É um trabalho incrível de fisioterapeuta mesmo, né? De musculatura, de... que a gente tem que fazer sempre.
03:26Que bacana.
03:26É um acompanhamento contínuo, tá?
03:28É um tratamento. Que legal.
03:31Agora, gente, que interessante a gente ver que muita gente nem sabe que existe a fisioterapia pélvica que pode atuar
03:39em áreas tão importantes assim da nossa vida, né?
03:43Muita gente acha que é normal, né? Assim como a nossa amiga, que dou uma risada, né? Faço algum exercício
03:52em casa mais puxado, alguma coisa e perco um pouquinho de urina.
03:55Não é normal isso acontecer.
03:56Não é normal. Na verdade, quando a gente começa a pensar aí nessa estrutura muscular, se você está perdendo o
04:03xixi em alguma dessas situações, é porque verdadeiramente você está em disfunção.
04:08Não podemos normalizar algo que não é pra ser normal. O normal é conseguir segurar o xixi, conseguir chegar ao
04:16banheiro da melhor forma possível, manter a calcinha, até mesmo a cueca, no caso dos homens aí, seca, sem umidade
04:24nenhuma.
04:24Esse é o normal. Isso era o que a gente precisava normalizar, né?
04:28Quais os fatores aqui? Nossa amiga falou da questão da gravidez. Eu acho que deve ser muito comum, né? Mas
04:35o que pode levar a pessoa a chegar num quadro como esse?
04:38Urmã, na verdade, é o seguinte. Hoje a gente entende que não existe faixa etária. Antigamente a gente achava que
04:44eram os mais idosos.
04:45É, só os idosos. Hoje não. Hoje eu tenho um paciente de 26 anos que estava lá no churrasco dando
04:51gargalhada com as amigas e achando que era normal perder xixi.
04:55Então, assim, hoje a gente entende que a gente precisa trazer uma consciência muscular.
05:01Assim como você vai pra academia, a gente também precisa fortalecer a musculatura do assólio pélvico.
05:06Olha só. Como é que a fisioterapia atua nesse caso? Porque às vezes a pessoa tem esse problema e fala,
05:12gente, mas pra onde que eu tenho que ir? O que eu tenho que fazer?
05:16E não faz ideia que a fisioterapia pode ajudar, né?
05:18É isso. Na verdade, com a fisioterapia a gente consegue fazer primeiro uma avaliação de toda essa musculatura.
05:24Eu consigo graduar a força dessa musculatura dessa paciente.
05:29Por isso que é um trabalho individualizado, personalizado e que a gente traz o teu objetivo.
05:35Então, por exemplo, se você está lá com um grau zero de força, você não tem nenhuma contração lá no
05:41canal vaginal, lá na preciosa,
05:44eu verdadeiramente consigo subir esse grau de força por meio dos exercícios, da respiração, da consciência muscular, da eletroterapia
05:53e de todos os recursos que verdadeiramente a fisioterapia traz pra trazer ainda mais a função dessa musculatura.
06:01Você trouxe alguns exemplos daqui, né? Que podem ser usados durante o tratamento.
06:06Vamos lá, explica pra gente o que você trouxe aqui.
06:09Eu adoro a parte educacional dos meus pacientes.
06:12Uma, porque ele precisa conhecer o próprio corpo, né?
06:15Quando a gente fala da pélvica, a gente fala dessa estrutura óssea e dessa estrutura muscular.
06:20Para as mulheres, essa é a estrutura.
06:24Certo.
06:24Só que o que diferencia?
06:26Essa força muscular aqui ó, desse vermelhinho todo, eu consigo graduar e trabalhar essa percepção da força muscular.
06:35É igual uma musculação em academia mesmo, né?
06:38É igual uma musculação em academia.
06:39Tem que fortalecer o músculo.
06:41Precisamos fortalecer, trazer a consciência muscular de tudo isso daqui, pra que ela no dia a dia, se ela precisar,
06:48ela consiga recrutar essa musculatura e contrair.
06:51No caso da Kátia, por exemplo, que ela pedia xixi ao correr.
06:55Nós treinamos essa musculatura pra responder a corrida, ao impacto da corrida.
07:02Que interessante.
07:03Você trouxe outras coisas também, você falou, tem um laser aqui, né?
07:07Tem outro aparelho também, isso tudo é usado nos tratamentos?
07:10Sim, na verdade, quando a gente gradua essa força muscular, eu consigo depois recrutar por meio da eletroestimulação.
07:19Então, esse eletrodo, ele vai lá no canal da preciosa e a gente consegue verdadeiramente ativar as fibras musculares.
07:27E não dói isso, não?
07:28Não, não dói.
07:30É super tranquilo.
07:31A gente vai dosando de acordo com o que o paciente precisa, pra que a gente consiga depois recrutar ainda
07:37mais essa musculatura, pra gente conseguir efetividade e função muscular.
07:44Que legal.
07:45Aí, a gente vai evoluindo com esse tratamento.
07:48Então, a gente tem aí uma primeira avaliação, que eu avalio essa musculatura, essa percepção muscular.
07:54Depois eu aumento, recruto essa musculatura, inclusive com a respiração, com os exercícios que essa paciente pratica.
08:01A gente vai colocando aí esse processo de eletroestimulação pra recrutar essa fibra.
08:06Trabalho muito com o laser, porque eu consigo ativar aí toda essa questão de colágeno das fibras musculares.
08:12E tudo isso associado à verdadeira consciência no dia a dia dessa paciente.
08:18Isso é o que é o bacana.
08:19Elas são... a gente fecha um contrato brincando que elas precisam treinar.
08:24Afinal de contas, essa pelve está aí sete dias da semana, 24 horas por dia.
08:30E uma vez por semana, a fisioterapia tem efetividade?
08:34Tem efetividade.
08:35Desde que ela treine em casa.
08:38Principalmente nas situações aí em que ela tá perdendo xixi.
08:41Ao tossir, ao espirrar, ao correr, ao ir pra academia, ao pegar peso.
08:48Muitas das minhas pacientes estão perdendo xixi ao carregar peso.
08:52Olha só.
08:52Porque a gente aumenta a pressão nessa região.
08:56E se você não tem músculo aqui suficiente pra conseguir segurar isso, verdadeiramente você vai perder esse xixi.
09:03A gente tá falando das mulheres, mas os homens também podem sofrer com isso, né?
09:07Sim, muitos homens sofrem com isso e trazem, né, como uma normalidade.
09:12Os homens vão pra academia e eles sobrepõem essa questão do peso e da manobra de valsalva.
09:17Que aquele fechar da respiração, isso também aumenta a pressão e faz com que lá na região da uretra masculina
09:27também haja um vazamento.
09:29Então, muitos homens também estão procurando fisioterapia pélvica pra poder parar de perder xixi.
09:35Gente, olha que interessante. Agora, além dessa perda de urina, o que que pode indicar que tem algum problema no
09:43assoalho pélvico aí dessa pessoa?
09:45Quando a gente fala, Bruma, do assoalho pélvico, a gente fala...
09:49Tem muita constipação, muita prisão de ventre?
09:52Olha...
09:52Prisão de ventre é algo disfuncional para o assoalho pélvico.
09:56É sinal que essa musculatura está muito tensionada.
09:59E a gente verdadeiramente precisa trazer uma consciência muscular, um trabalho de relaxamento, pra poder realmente ficar tranquila.
10:08Um outro caso são as pacientes que têm muitas dores na região da pélvica.
10:13Ao pedalar, ao correr, ao namorar, né?
10:17Se elas têm dores nas regiões da pélvica aí, a gente consegue também trazer isso pra dentro da fisioterapia pélvica
10:24e aliviar essa sintomatologia de dor.
10:26Essas mulheres com endometriose, com adenomiose, que sobrecarregam essa pélvica.
10:31Traz até o alívio também pras meninas que sofrem de uma cólica intensa.
10:35Olha só!
10:36Então, reduz bastante a dor, né? Devido ao assoalho pélvico estar fortalecido.
10:41É isso, porque quando a gente fortalece essa estrutura, seja na população feminina, seja na população masculina,
10:48eu aumento aqui, ó, informação pra essa região.
10:51Aumento informação de consciência muscular, de vasodilatação.
10:56Aí eu melhoro prazer, melhoro segurar o xixi, alivio a questão das cólicas,
11:03as cólicas vindo principalmente das questões da endometriose, da adenomiose.
11:08E ainda consigo trabalhar com a região aí, anal, pra poder aliviar toda a questão da constipação intestinal.
11:16Gente, olha que interessante!
11:17Quanto tempo de tratamento?
11:19No seu caso, você ficou quanto tempo fazendo tratamento, Cátia? Você lembra?
11:22Foi, tem mais de ano, né?
11:24Na verdade, a gente...
11:26Não dá pra deixar.
11:26Não dá.
11:27A Cátia, ela segue num tratamento contínuo por prevenção.
11:31Perfeito.
11:31Mas imediatamente, eu peço cinco sessões pra essa paciente, desde que ela treine em casa.
11:36Então a gente faz uma avaliação, cinco sessões.
11:39Se ela treinou em casa, ela começa a entrar em espaçamento.
11:43A Cátia, por exemplo, tá em espaçamento.
11:45A gente se vê aí uma vez por mês, pra que eu possa conferir como é que tá essa musculatura,
11:51e se tá do jeito que eu deixei.
11:54Ela precisa treinar.
11:55Mas você não quer deixar nunca, tá?
11:56Depois você não quer mais parar, né?
11:59Lógico, gente, os benefícios são tantos.
12:00Agora, tem gente me perguntando aqui a questão...
12:02Você falou da questão da idade, né?
12:05Quem não tem filhos e também pode ter esse problema, não é só a gravidez, né?
12:10No caso das mulheres, que vai carretar esse problema.
12:12Não.
12:12Na verdade, a gente consegue entender que essa mulher, desde que ela não trabalhe,
12:17ela começa a ter problemas, como tudo no seu corpo.
12:21Todo o seu corpo precisa de movimento, precisa de fortalecimento.
12:25O assoalho pélvico, essa região aqui, não é diferente.
12:29Então, independe da idade.
12:31Toda essa percepção aí, independe da idade.
12:34O meu sonho seria que as meninas de 14 anos começassem a entender sobre a pélvica.
12:40Começassem a entender sobre contração muscular, sobre a efetividade de tudo isso,
12:45para tomar consciência mesmo desse corpo.
12:48E quem tem mais idade?
12:49Outra pergunta importante.
12:50Às vezes a pessoa já está aí há bastante tempo sofrendo.
12:53Dá para recuperar?
12:54Tem salvação?
12:55Dá.
12:56Na verdade, essa musculatura aqui, ela só precisa ser recrutada.
13:01Trabalhar estímulos que vão fazer com que você aumente.
13:04Eu tenho uma senhora de 80 anos que perdi a xixi e que na última semana ela foi para a
13:10Caldas Novas,
13:11viagem de três dias de ônibus e não teve nenhuma perda.
13:15Olha que coisa boa.
13:16Gente, então os benefícios são muitos.
13:18E conseguir também segurar, né?
13:20Porque eu não conseguia nem segurar o tempo mínimo da urina, né?
13:25Aí era muito frequente a minha ida ao banheiro.
13:28Isso faz com que você se segure um pouco.
13:30Às vezes você está num local que precisa estar segurando ali e retendo um pouco a urina.
13:35Então, com a pele fortalecida, traz essa segurança.
13:40Gente, que incrível.
13:41Cátia, obrigada pela participação, pelo depoimento.
13:44A Aline, obrigada aqui também pelos esclarecimentos.
13:47Parabéns pelo trabalho.
13:49Até a próxima, meninas.
13:50Eu que agradeço.
13:50Obrigada.
13:51Parabéns pelo trabalho.
13:52Parabéns
13:53Parabéns pelo trabalho.
13:54Parabéns pelo trabalho.
13:55Obrigado.
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