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  • há 3 horas

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00:00olharem pra esse assunto, por favor.
00:01Tem um ponto que é meio...
00:04O Milman, por favor, vá me escutando
00:06e se eu tiver dito qualquer coisa que pareça
00:08ele errada, ele que tá apurando bastante a situação,
00:10por favor, me interrompe e me corrija, Milman.
00:12Mas eu ia dizer que tem um ponto que é meio
00:15assustador, né? Nada pode ser mais
00:16assustador do que
00:18vocês vão me perdoar, mas um desgraçado
00:20matar o próprio filho de três aninhos
00:22com um soco no peito, no abdômen
00:24e batendo a cabeça da criança no chão.
00:27Nada pode ser mais assustador que isso, é óbvio.
00:28A forma mais repugnante
00:30de covardia. Fez isso porque
00:32o filhinho não deu bom dia.
00:34Tomara que ganhe bom dia do carcereiro até o fim da vida.
00:37Não é uma pessoa que faz isso.
00:38Espero que seja assim. Mas, enfim,
00:42Weiner tem
00:42um outro aspecto que me assusta também nessa
00:44história, que é o fato de o poder público,
00:46a rede de proteção à criança,
00:48ter, sim,
00:50conseguido identificar o sofrimento desse menino
00:52e o sofrimento dos seus irmãos também.
00:54Fizeram acompanhamento, elaboraram relatórios,
00:58apontando
00:59marcas roxas,
01:00braço quebrado,
01:01Milman trouxe, né?
01:02Estavam a par
01:03do histórico de agressões
01:05contra essas crianças
01:05em outros estados.
01:07Porque essa família morou
01:08em Santa Catarina,
01:10em São Paulo,
01:10e lá houve episódios
01:12violentos também
01:13contra os meninos,
01:14contra esses filhos.
01:14A escola daqui de Viamão,
01:17isso o prefeito de Viamão
01:18nos disse ontem,
01:19em entrevista ao Gaúcha Mais,
01:20a escola daqui informou
01:21que eles iam para o colégio com fome,
01:23com pouca roupa no inverno,
01:26e mesmo assim,
01:27com todos esses indícios,
01:29o menino de três anos
01:30morre espancado
01:31nas mãos
01:32desse delinquente,
01:34desse covarde.
01:35Como é que isso é possível?
01:36se a rede de proteção
01:37tinha conhecimento
01:37de tudo isso.
01:38Claro,
01:39é importante a gente ponderar,
01:40Kelly,
01:41que depois de uma tragédia,
01:42realmente,
01:43fica fácil a gente dizer
01:44que tudo era óbvio,
01:45estava tudo claro,
01:46poderia ser evitado.
01:47É verdade,
01:48tirar uma criança dos pais
01:49é sempre uma decisão
01:50muito radical
01:51e muito grave,
01:53que o poder estatal
01:54evita até o final.
01:55A separação de uma família
01:57pode produzir
01:57um sofrimento muito grande,
01:58trauma irreversível
01:59para uma criança.
02:00Concordo.
02:00Mas não foi um, né, PG?
02:01Aí que estava,
02:02mas nesse caso aqui
02:04havia um acúmulo
02:05de sinais,
02:06de alertas,
02:07de indícios
02:07tão consistentes,
02:09tão numerosos,
02:10que, poxa,
02:12continuar esperando
02:12para intervir
02:14aparentemente deixou
02:15de ser uma manifestação
02:16de prudência,
02:17de cautela,
02:17que é importante
02:18nesse caso,
02:20e me parece
02:21que virou
02:21uma irresponsabilidade.
02:23Ô, PG.
02:24Diga, Milma.
02:25Eu queria complementar
02:27até com uma informação, né,
02:29se você falasse
02:29sobre o histórico
02:31em outros estados,
02:32a gente já tinha
02:32essa informação,
02:33a polícia já havia
02:34confirmado,
02:35de históricos
02:36de violência,
02:37pelo menos
02:37quatro dos cinco filhos
02:38em outros estados,
02:40Santa Catarina e São Paulo.
02:41Olha aí,
02:41vai lá.
02:41E agora até...
02:43Ela compartilha conosco
02:45uma informação
02:45de um processo
02:46que ocorreu
02:47no estado de São Paulo.
02:49Tem dois municípios,
02:51pelo menos,
02:51onde eles passaram,
02:52que é Mogi Mirim
02:52e Águas de Lindóia,
02:55os dois no interior
02:55de São Paulo.
02:56E existe um processo,
02:57a gente está buscando
02:58informações ainda,
02:59mas que,
02:59pelo que consta
03:01no processo,
03:02chegou a ser feita
03:03a separação
03:04de uma das crianças
03:05da família.
03:06Só que a família
03:07retornou depois.
03:08Em outro estado, isso?
03:09Ou seja,
03:10em outro estado
03:11e em São Paulo.
03:11A gente está tentando
03:12entender agora
03:13o contexto disso,
03:14quando foi,
03:15qual a cidade,
03:16por qual motivo
03:16houve a separação
03:18e por qual motivo
03:18houve o retorno
03:19e de indícios
03:19de que essas crianças
03:20viviam um pesadelo
03:22e que não tinham
03:23mais condições
03:23de continuar
03:23dentro dessa família.
03:24É claro, né, Weiner,
03:25que o estado
03:26não pode sair arrancando
03:27crianças de casa
03:28diante de qualquer denúncia,
03:29mas também não pode exigir
03:30um grau de certeza
03:31tão alto
03:32que vai ser confirmado
03:33só quando a criança
03:34estiver na UTI
03:34ou no necrotério,
03:36como é o caso aqui.
03:37O braço quebrado
03:39não é um indício.
03:47A família diz que
03:51quebrou o braço
03:52brincando com os vizinhos.
03:53Não, só um pouquinho.
03:54Uma vez pode ser.
03:56Tu entende, Gabriel?
03:57Não, claro.
03:57Ah, tem o braço quebrado,
03:58tá bom, pode acontecer mesmo.
03:59Caiu ali, se quebrou,
04:00uma criança de 3 anos acontece.
04:01Mas só um pouquinho.
04:02Olha a quantidade
04:03de evidências
04:04que nós estamos aqui
04:05elencando
04:05e que o Milman trouxe.
04:06E isso é um sintoma,
04:08a gente vê isso.
04:08É muito desumano.
04:10Tem um aspecto
04:10que eu acho muito importante,
04:11que eu concordando
04:12absolutamente
04:12com o que vocês dizem
04:13sobre ser inacreditável
04:14que uma pessoa possa, né,
04:16praticar esse tipo
04:17de atrocidade
04:18contra uma criança
04:19em defesa.
04:20Ainda assim,
04:22a perversidade, né,
04:23a crueldade,
04:25ela, infelizmente,
04:26ela é inerente.
04:27Ela faz parte
04:27da sociedade, né?
04:29E aí...
04:30Não pode imaginar isso,
04:30mas...
04:30Eu sei,
04:31mas o que eu quero dizer
04:32é que qual é a principal
04:33justificativa
04:33para o Estado existir.
04:35O Estado existe
04:36para proteger
04:37quem sozinho
04:38não consegue se defender.
04:39É isso.
04:41Quanto menor a capacidade
04:42de alguém se proteger,
04:43maior precisa ser
04:44o dever de proteção do Estado.
04:45é para isso
04:46que existe o Estado.
04:47Por isso que eu estou insistindo,
04:48Kelly,
04:49nessa questão da rede de proteção.
04:50Claro,
04:51infelizmente,
04:52um psicopata,
04:53um doente mental,
04:54maluco,
04:55perverso,
04:55que precisa ficar preso
04:56a vida toda,
04:57sempre vai existir.
04:58É muito triste.
04:59É inexplicável
05:00o que esse tipo de pessoa
05:01é capaz de fazer.
05:02Mas faz.
05:03E aí entra
05:04a necessidade
05:05de haver um Estado
05:06que nesse tipo de situação,
05:07ou prevendo que isso seja possível,
05:09intervenha na hora.
05:11Claro.
05:11Então,
05:11eu repito,
05:13eu não acho que a gente
05:13deve fazer caça às bruxas aqui,
05:15não é esse o caso.
05:16Eu acredito que exista gente
05:17muito séria dentro do Conselho Tutelar,
05:19acredito que exista gente
05:20muito séria na Secretaria
05:21de Desenvolvimento Social
05:22de Viamão,
05:23gente muito séria
05:24em toda essa rede de proteção,
05:25eu não tenho dúvida disso.
05:27Mas havia um acúmulo
05:28de alertas,
05:29nesse caso aqui,
05:30envolvendo inclusive
05:30os irmãos desse menininho,
05:32que é uma irresponsabilidade
05:34não ter havido algo
05:35de fato
05:37contundente
05:37ocorrendo antes,
05:38visto que o Estado
05:39havia recebido
05:40todos esses sinais.
05:41Ah, isso é muito triste.
05:43É muito triste.
05:44E isso precisa ser investigado.
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