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Na manhã de 17 de maio, na Praça Manoel Bandeira, em Belo Horizonte, o companheiro de uma empresária de 42 anos matou-a a tiros enquanto a mulher praticava exercícios físicos. A Polícia Civil concluiu, um mês após o crime, que o feminicídio foi premeditado. As evidências disso seriam uma carta de seis páginas, mensagens enviadas antes da execução e até um bilhete deixado pelo autor indicando onde o carro seria encontrado após o assassinato.

Imagens: Quéren Hapuque/EM

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#feminicídio #crime #investigação

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Transcrição
00:00A Polícia Civil encerrou as investigações relacionadas à morte da vítima Lídia Nandes, de 42 anos,
00:07que ocorreu na manhã do dia 17 de maio do corrente ano, na Praça Manuel Bandeira, no bairro Cidade Nova.
00:14O companheiro, o Antônio Luiz, de 49 anos, ele premeditou o feminicídio, ele planejou esse feminicídio,
00:22tanto que ele deixa cartas, deixa um manuscrito de seis páginas, elaborado por ele antes dos fatos.
00:28Ele manda mensagens para o irmão, manda mensagem no grupo de condomínio,
00:34ele deixa um bilhete também na cena em que é encontrado o corpo da vítima Lídia, com orientações onde o
00:41veículo estava.
00:42Ele desloca a pé até a praça, ele aborda a companheira, que inclusive coloca-se em posição de rendição,
00:50ela levanta os braços, mesmo assim ele efetua diversos disparos de arma de fogo.
00:55Ele, segundo testemunha que estava ali no local, ainda recarrega a pistola, a arma de fogo e continua a efetuar
01:03os disparos de arma de fogo,
01:04ou seja, há uma inequívoca intenção de matar, uma inequívoca intenção feminicida.
01:11Após os fatos, ele deixa esse bilhete ao lado do corpo, ele desloca e volta para a rua João Alberto
01:16Filho,
01:17onde ele pratica o auto-extermínio, onde ele efetua um disparo no interior da cavidade bucal.
01:23Os laudos complementares também, eles negam qualquer tipo de uso de álcool, de substâncias psicoativas,
01:31o que reforça que ele estava plenamente consciente.
01:34Ele era um atirador esportivo, ele tinha autorização, registro de arma desde 2018.
01:40Segundo depoimentos de familiares, de vizinhos, a vítima, ela mantinha uma relação totalmente abusiva com esse companheiro de 16 anos,
01:49embora a gente não tenha registros formais, ou seja, não tem ocorrência, não tem medida protetiva.
01:55Isso não significa ausência de sofrimento, nem ausência de violência, principalmente a violência que a gente chama psicológica,
02:01que é uma violência sutil, que é uma violência muitas vezes naturalizada, com certos comportamentos possessivos, de ciúme, de controle.
02:09O que se tem de formação é que ele não deixava, inclusive, ela ter interações sociais, amizades, redes sociais.
02:16E ela também já tinha manifestado o desejo de separação, que também pode ter sido motivador,
02:21porque ele não concordava com a autonomia dessa mulher.
02:24A mulher que está numa relação de violência psicológica, ela, às vezes, não vai enxergar, ela vai ter dificuldade de
02:31enxergar isso.
02:32Então, está aí o papel importante da sociedade, amigos, familiares, vizinhos, colegas de trabalho,
02:38para que, se perceberem isso, acolherem essas vítimas e orientá-las, reforçando, incentivando a procurar ajuda especializada o mais rápido
02:47possível.
02:48O mais rápido possível que isso seja identificado, esses sinais de alerta sejam identificados,
02:53é mais provável que a gente consiga interromper um ciclo de violência e evitar um desfecho fatal tão grave e
03:00tão horrendo como esse.
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