Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 5 semanas
Ela seguiu outras carreiras e foi até dona de loja na Praia do Canto, mas foi parar nas ruas e sobrevive por meio das artes que produz

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Se eu pinto, eu tenho dinheiro, tenho comida, tenho tudo, o que eu preciso.
00:04Se eu não pinto, eu não tenho nada.
00:14Meu nome é Ana Lília, sou de Ribeirão Preto, exterior de São Paulo,
00:19mas moro em Vitória desde 1978.
00:21Sou no Siglo de Áries, aqui no dia 5 de abril,
00:23e sou mãe de três filhos maravilhosos, tenho 56 anos de idade.
00:27Em abril, praticamente no dia do meu aniversário, 5 de abril, eu fiquei na rua.
00:32Eu levei minhas coisas para a casa de uma colega lá em Jardim Limoeiro,
00:35mas não deu certo eu morar com ela e ela me pediu para eu ir embora,
00:40eu larguei minhas coisas tudo lá, vim embora para a rua,
00:42sem saber para onde ir, o que fazer, e fui dormir na calçada, literalmente na calçada.
00:48Aí conheci um artesão de rua, onde ele me ajudou a saber fazer as coisas na rua.
00:54E eu continuei morando na rua e comecei a fazer minhas casas de papelão.
00:59É difícil demais, muito difícil.
01:08Se eu pintar, eu tinha 11 anos de idade.
01:12Fazia olhos sobre tela, com a professora Heloísa Monjardim,
01:17que eu acho ela maravilhosa.
01:19Depois comecei a pintar quadros e guardava, porque na época eu não tinha condição financeira melhor.
01:24Eu não precisava vender quadros para viver.
01:26Eu trabalhava com outras coisas, entende?
01:28Trabalhei em banco, trabalhei em consórcio,
01:31tive restaurante, tive uma loja na Praia do Canto,
01:34mas as coisas eram erradas após a morte da minha mãe.
01:38Então, eu me vejo nessa situação hoje,
01:41e os meus quadros são a minha salvação.
01:44Sem eles, eu não consigo pedir.
01:46Eu não me vejo pedindo nada na rua, se eu não tiver um quadro de valeu graça.
01:51É a minha moeda.
01:52Se eu tiver com fome, eu troco com uma marmita, com um refrigerante,
01:55com uma roupa, o que eu precisar?
01:57Às vezes a gente chega na perto do quarto,
01:59a pessoa finge que está falando no celular,
02:01ou finge que está mexendo na bolsa,
02:02ou fica olhando para frente,
02:05insistindo em fazer você se sentir invisível, não tem?
02:07Isso dói.
02:08É tão fácil fazer assim, ó.
02:10É tão fácil fazer assim, ó.
02:11A gente passa direto.
02:12As pessoas que me rejeitam,
02:13ou que apontam dentro para mim,
02:15elas têm mais problemas do que eu.
02:16Porque eu estou resolvida.
02:19Minha vida está e todo mundo sabe o que eu faço.
02:21Eu não preciso me esconder de ninguém.
02:24Mas eu não acho as outras pessoas querendo dar nota na minha vida, não tem?
02:28Ah, você está assim porque você quer.
02:29Não quero.
02:36Eu vim para cá, para a gente vai dar ponte,
02:40começo do ano, não, final do ano passado,
02:42mais ou menos setembro, assim,
02:44até fiz ali na área da Siglovia,
02:48uma árvore de Natal na parede,
02:49fiz a desapega de Natal, tudo.
02:51Só que lá tem muito bicho peçonhento,
02:53eu não suporto.
02:54Aí eu vim para cá,
02:55aqui eu chamo de condomínio da Graminha.
02:58As tintas,
02:59com a venda dos pardos eu compro,
03:02muitas coisas que eu ganho.
03:03Eu ganhei uma maravilha de coleção de pincéis,
03:08que eu nunca tive tanto pincel na minha vida.
03:10Deixaram aqui para mim,
03:12abençoada por ser essa pessoa.
03:14Descobri que os pincéis de maquiagem
03:16são os melhores pincéis do mundo para se pintar,
03:19porque as cerdas deles são tão macias
03:22que não riscam,
03:24não fazem risco na pintura.
03:27Então eu queria ganhar uma coleção
03:29só de pincéis de maquiagem.
03:40Então é através dos meus quadros
03:42que eu me mantenho.
03:43E além disso,
03:44é minha terapia,
03:45eu me mantenho viva.
03:46Se eu não pintar,
03:47eu acho que é um desespero.
03:49A pintura é minha salvação.
03:51Cura a minha defesação,
03:52cura a minha solidão,
03:55cura a falta de carinho,
03:57amor da minha família.
03:59cura muita coisa.
04:01Eu pedi tantas coisas a Deus,
04:04inconscientemente,
04:05que eu aprendi hoje
04:06que Ele me ouve.
04:07Então eu tenho que ter cuidado
04:08com o povo pedir.
04:10Muitas vezes eu cansada dentro de casa,
04:12eu falava besteiras,
04:13assim como,
04:13vou sair daqui e não vou voltar mais.
04:15Vou entregar essas crianças para o pai.
04:18Deus ouviu.
04:19Dia 17 de fevereiro,
04:21eu perdi a minha casa
04:22e perdi meus filhos.
04:24Então hoje eu falo para Deus,
04:26me devolve as roupas sujas,
04:28eu quero a casa para cruzada,
04:31que eu quero arrumar de novo.
04:33Mas eu acho que na hora certa
04:34eu vou conseguir.
04:35Na demora eu acho,
04:37mas eu espero
04:39que eu vou conseguir.
04:40Sabe?
04:41Vou conseguir.
Comentários

Recomendado