00:00Em São Pedro, eu fiquei com medo, com receio, pelo alto índice de criminalidade.
00:05A minha ideia é que o Papa não descesse, não tivesse contato direto com o público.
00:11Quando chegou naquele ambiente, ele orou pra mim, por segurança pessoal dele do Vaticano,
00:16e falou, eu quero ir lá em Bá.
00:28Meu nome é Luiz Marcena, sou agente da Polícia Federal,
00:34na iminência de me aposentar depois de 60 anos de atividade policial.
00:40Hoje, eu sou o policial mais velho em exercício na Polícia Federal,
00:47atuando no Centro de Operação Internacional, sempre com o policial de frente.
00:52Eu trabalhei em Beirute de 4 a 5 anos.
00:57Foi um momento muito difícil, por várias vezes.
01:00A cidade, o bairro foi evacuado.
01:03Eu fui testemunha de um massacre que houve no campo palestino,
01:08Sabra Chatil, onde o número de mortes até hoje não está definido.
01:13Eu voltei de Beirute em 1992, desde então eu atuo em Vitória.
01:18Trabalhando em Vitória, nós recebemos em Vitória vários dignitários, várias autoridades.
01:23O Papa, Mandela e o Prince Charmer.
01:27Eu fui encarregado de montar essa segurança.
01:29A mais difícil é do Papa, porque envolve, me parece que envolveu 7.6 mil homens.
01:35O Papa é muito simpático, né?
01:37Como todos, o Papa fala muito pouco, mas ele se comunica com os olhos e com a expressão facial.
01:43Todo o tempo você sentiu o ok dele, né?
01:46No olhar, com a expressão facial.
01:48Assim como quando ele passava a prisão, da mesma maneira.
01:51Isso ocorreu em São Pedro, quando ele se viu rodeado em uma multidão muito grande,
01:56e havia uma menina desesperada querendo abraçá-la.
01:59Eu olhei para a menininha e fiquei com pena dela.
02:01Eu olhei para o Papa, eu vi que ele estava afim de abraçar aquela filha.
02:05Eu deixei a menina furar o cordão de isolamento e lembreceu ele em Joaquim.
02:09E a menina sujou a batina dele toda de barro, porque choveu mesmo.
02:14Todo mundo conhece o beijador.
02:16E o beijador falou no Rio de Janeiro que vinha Vitória e beijou o Papa.
02:19Eu acertei um oficial da PM para apanhar ele no aeroporto e levar ele para passear até o Papa voar.
02:32Assim foi feito.
02:33Ele viajou, passeou em Vitória.
02:36Só que depois disso, ele nunca mais viajou ninguém.
02:40Ele encerrou a cidade do Davi do Rio de Janeiro.
02:42Na visita do príncipe Charles, houve uma situação interessante.
02:47A imprensa não atravessaria o príncipe Charles.
02:51Quando ele estava caminhando, chegando na da cruz celulosa,
02:54a reposta furou a filha e veio com o microfone na mão para identificar sua alteza real, o príncipe Charles.
03:00Eu, num gesto, quase refleto, tirei ela e seguimos andando.
03:04Eu não tinha observado, eu vim observar essa reportagem depois no Jornal Nacional há muitos anos,
03:08a expressão do príncipe quando viu isso.
03:10Ele achou natural o sassurrito.
03:12Na visita do príncipe, eu li alguma coisa de caldeira, né?
03:16Eu chamei um engenheiro na área com celulosa e falei pra ele,
03:19me desativa todas as suas caldeiras.
03:22Isso não pode.
03:24Então, deixa ela no limite.
03:26Eu não quero nenhuma caldeira com pressão.
03:29Se uma caldeira dessas pediu, não é hora.
03:32Ele zerou aquelas caldeiras.
03:35Assim mesmo, eu fui buscar em São Paulo um equipamento
03:39com creme e remédio e umas maletas grandes.
03:44E fiquei do lado do príncipe todo o tempo.
03:47Se é uma caldeira daquelas pedras, se tem alguma coisa diversa ali,
03:51tinha elemento, tinha material químico pra cobrir ele, pra proteger ele, pra tirar ele.
03:57E ele ficou me olhando e falei, parece que ele tava olhando com o E.T.
04:00E eu cumprimento ele, porque você não cumprimento a autoridade dela.
04:03Toca, tudo bem.
04:04Mas pro tríceo, não.
04:06Com tríceo, você nunca nem olha pros olhos dele.
04:09E quando ele me olhou, eu falei, tudo bem.
04:14Porque eu vi o protocolo também.
04:16Parecia um E.T.
04:17Mandela vem de guerrilha, né?
04:20Situação muito difícil na África.
04:23Ele traz com ele aquele segurança dele.
04:25Pertence àquele grupo militar na qual ele pertence.
04:30E fizeram um evento no campo do Ferroviário, lá em Cariacet.
04:34E esse evento havia também um parque muito grande,
04:37onde o Mandela falaria de algumas paradas.
04:39E houve alguma coisa ali que eu não entendi,
04:41onde o segurança do Mandela começaram a agredir a imprensa, a Porsche,
04:46Então, foi uma situação difícil ali.
04:49Que nós, pra proteger o divinitário, que era o Mandela,
04:52tivemos que intervir e fazer a mesma coisa.
04:54E tirá-lo dali.
04:55O Vitória era uma cidade muito difícil.
04:57Nós tínhamos pessoas que controlavam o crime nessa cidade.
05:00De uma maneira muito extensiva.
05:02Todo mundo sabia quem era.
05:04E não havia força policial que conseguisse deter esse pessoal.
05:08Toda forma de crime de mal.
05:10Praticado o grupo de terror, o grupo de extermínio,
05:14Todos eles alojados dentro de uma organização criminosa chamada LeCorte.
05:18Hoje, Vitória não tem mais, que eu diria, um chefe de crime organizado.
05:25O crime em Vitória hoje é muito grande.
05:28É vasto.
05:29Mas é o crime patrimonial.
05:32O outro é o crime na área de droga.
05:35Traficantes brigando por domínio diário.
05:39E os usuários que faltam com os compromissos traficantes.
05:43Me emociona muito e me impacta muito, né?
05:46Porque eu digo pra mim mesmo, é uma fabra.
05:4960 anos de atividade.
05:51Eu tive várias situações embaraçosas em uma atividade policial.
05:57E elas foram todas resolvidas com bom senso.
06:02Elas foram todas resolvidas com equilíbrio.
06:06Elas foram todas resolvidas com respeito muito grande de dignidade humana, pessoa humana.
06:13Aos 60 anos de atividade, eu tive que me adaptar aos colegas.
06:19A minha geração quase toda já faleceu, já apresentou.
06:22Hoje eu tenho novos colegas.
06:24E eu procuro interferir o menos possível, porque eu sei que eu sou uma coisa diferente nesse meio.
06:31Eu fui convidado pela Academia Nacional de Polícia para receber um diploma em Brasília,
06:37na Academia Nacional de Polícia, no fim do curso de agentes.
06:40E depois de receber o diploma, o elogio de praxe, havia praticamente 600 alunos no auditório.
06:50E a coisa meio parecida com um cartel, todos muito enquadrados, vamos dizer assim.
06:56E eu notei nos olhinhos deles, me olhando como se fosse uma coisa rara.
07:01O policial em quase 70 anos em visa, quase 60 do cabelo.
07:07O que é que eu tinha?
07:07Por conta própria, desci até o meio e me dirigia a eles.
07:14Não tem herói na Polícia Federal.
07:18Não saiam daqui querendo executar atitude de herói.
07:23Eu costumo dizer que meu anjo da guarda está sempre tentando todas as operações que eu fiz.
07:28Inclusive em Beirute.
07:30Eu fui iluminado e iniciei, na pandemia, um curso de psicologia.
07:36Eu estou no peço anterior.
07:38No ano que vem eu me informo.
07:40Eu tenho ideia, pretendo, se eu tiver saúde, se eu tiver saúde mental, em trabalhar com a psicologia.
07:48O que você mudaria no seu histórico se você tivesse uma oportunidade?
07:51Eu voltaria aos 20 anos.
07:53E começaria tudo de novo.
08:09E começaria tudo de novo.
Comentários