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  • há 5 semanas
Qual é o lugar da mulher negra? Sabemos que nossa história não começou na escravidão. Pelo contrário, a escravidão interrompeu a nossa história. Se antes éramos rainhas, princesas E autoridades, a escravidão nos marcou como um corpo com um papel muito designado: servir. Uma marca histórica que muitas de nós carregam até hoje. Vale lembrar que não há problema algum em servir, desde que essa não seja nossa única alternativa.

O Lugar da Mulher Preta é tema do nosso terceiro episódio do PretaPodES – o podcast feito 100% por mulheres negras. Para o bate papo, conversamos com as advogadas e ativistas sociais Rayane Loiola e Jéssica Wanzelle.

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Transcrição
00:04Qual é o lugar da mulher negra?
00:06Nós sabemos que as nossas histórias não começaram na escravidão, definitivamente.
00:12Pelo contrário, a escravidão interrompeu a nossa história durante muito tempo.
00:16Se antes éramos rainhas, princesas, autoridades, líderes,
00:22a escravidão nos marcou como um corpo que tem um papel muito designado, servir.
00:27Uma marca histórica que muitas de nós carregamos até hoje.
00:32Vale lembrar que não há problema nenhum em servir,
00:35desde que essa não seja a nossa única alternativa.
00:39Eu sou Elis Carvalho e nós vamos iniciar a nossa edição do PretaPod ES,
00:45o seu podcast 100% feito por mulheres pretas.
00:48Bom, eu já agradeço aqui a presença de vocês, meninas, nossas convidadas,
00:53advogada e produtora cultural, Raiane Loyola.
00:57Muito obrigada pela presença.
00:59Eu que agradeço o convite, Elis, maravilhosa.
01:02É um prazer ter vocês aqui com a gente.
01:05Agradeço também aqui a participação da advogada e ativista social,
01:11Jéssica Van Zeller.
01:12Falei certinho?
01:13Falei certinho.
01:14Eu tenho certeza que a gente vai aprender muito junto, Jéssica.
01:17Obrigada, viu?
01:17Eu que agradeço pela oportunidade.
01:19Então, bom, eu sempre falo que quando uma mulher branca entra numa sala,
01:26o que as pessoas enxergam?
01:28Entrou uma mulher na sala.
01:29Agora, quando uma mulher negra entra em uma sala, o que as pessoas enxergam?
01:34Entrou uma negra.
01:36É como se a gente fosse um bloco único, né?
01:39Eu até estava contando para vocês aqui, né?
01:41Já aconteceu de entrar em restaurante caro e ser a única negra
01:44e automaticamente as mãozinhas brancas levantando,
01:47achando que eu estava ali para servir, porque é assim que a branquitude enxerga a gente.
01:51Só que isso mudou, né, gente?
01:53Hoje em dia, nós estamos em todos os lugares.
01:57Nós estamos em todas as profissões.
01:59A gente está fazendo muita coisa.
02:01Eu queria entender, assim, Rai, para você, que é advogada,
02:05como que é estar em todos os lugares?
02:08Ainda há olhares diferentes, ainda há tratamentos diferentes, oportunidades diferentes.
02:14Sim, sim, Elisa, eu percebo, né, esse desconforto que nos traz, né,
02:20certos olhares quando a gente adentra num ambiente, assim.
02:24O ambiente que um advogado e uma advogada, né, um advogado desfrequenta,
02:30são ambientes bem formais e são ambientes hierárquicos.
02:36E dentro da hierarquia da sociedade, sabemos que a mulher negra,
02:41ela está abaixo dessa hierarquia.
02:42Então, somos vistas como subalternas.
02:46Quando a gente adentra num espaço, enquanto advogada,
02:49enquanto uma mulher preta ocupando esse espaço de advogada, né,
02:53que é mais uma profissão, é uma profissão, né, como tantas outras,
02:58acabam dando para a gente um olhar de...
03:02Será que você está no lugar certo?
03:04Será que é esse o seu lugar?
03:06Eu já participei de uma audiência, né, que inclusive foi a primeira audiência
03:11que eu participei há 10 anos atrás, né, que simplesmente a juíza não direcionou
03:21o olhar dela para mim.
03:23Quem conduzia a audiência, né, na parte da defesa era eu e uma advogada branca sócia
03:30a minha e, na época, a juíza só se referiu a ela na audiência.
03:34E isso foi assim, né, 5 anos de faculdade, passar na OAB, né, ser essa referência intelectual
03:41para a família, né, uma família de pretes.
03:44Então, assim, acaba... Isso me...
03:48Me cortou o coração, né, isso me mostrou, né, já nessa primeira atuação enquanto advogada
03:57na área criminal, já me mostrou que as coisas seriam difíceis.
04:03E eu, devido a isso, eu, como produtora cultural, tenho buscado uma atuação entre os meus.
04:11A gente chama de aquilombamento.
04:13É um aquilombamento urbano, eu fazer parte de um bloco de carnaval, um bloco formado
04:20por pessoas negras e negras, né, conduzido por mulheres negras, né, que estão na produção,
04:28que estão em todos os espaços, né, ocupando todos os espaços desse bloco.
04:34E por que esse aquilombamento, né?
04:38Esse aquilombamento é para a gente ter uma forma de viver mais leve,
04:42é para a gente conseguir estar nos espaços e termos vistas pela nossa atuação e não
04:52pela cor da nossa pele.
04:54Porque esse pré-julgamento de que vamos falhar, de que estamos no lugar errado,
04:59nos desestrutura.
05:00traz para a gente uma insegurança.
05:05E isso é muito nocivo, porque você, uma advogada, ela tem que chegar numa audiência firme.
05:11Um produtor cultural, ele tem que chegar e tem que ser firme conduzindo aquela produção sociocultural.
05:18Então, assim, é muito importante sermos, levantarmos a cabeça,
05:24lembrarmos que viemos de rainhas, viemos de reis e rainhas e não devemos nos abater.
05:32E, pelo contrário, criar estratégias de sobrevivência, estratégias de conseguir estar nesses espaços
05:39e colocar o nosso trabalho para ele ser visto, para ele brilhar,
05:43para ele falar da nossa potência antes de qualquer coisa.
05:49Me lembrou muito aí o que você disse, né, sobre essa sua experiência com a juíza,
05:52de uma médica que eu entrevistei, inclusive a única médica negra que eu tive prazer de conhecer,
05:58de perto entrevistar, e ela falou que era muito comum pessoas entrarem na sala dela
06:04e perguntar cadê a médica, né?
06:07Então, assim, mesmo ela com jaleco, mesmo ela lá toda arrumada, bonitona, estudada,
06:12então é uma pergunta frequente, assim, pra ela e realmente que atravessa muito a gente, né?
06:19E só que, assim, as pessoas têm que se acostumar, a gente tá em todos os lugares, nós somos diversas.
06:24A gente tá na periferia, a gente tá no mundo corporativo, a gente tá empreendendo,
06:28a gente tá mostrando a nossa ancestralidade, nossa espiritualidade.
06:32Então, Rai, eu queria te perguntar pra você, assim, qual você acha que é esse lugar da mulher negra?
06:38Todos os lugares.
06:39É isso.
06:41Nós estamos em todos os lugares, cada vez mais estaremos no topo, estaremos nos lugares de liderança,
06:48nos espaços de poder.
06:51É isso, se acostumem.
06:53É isso.
06:54E só um adendo que é bem interessante que eu considero,
06:58a gente, quando fala de Júlio das Pretas, a gente retrata a história de Tereza de Benguela, né?
07:03Que foi líder de um quilombo de Cotiretê.
07:06E é justamente esse movimento que a mulher negra faz,
07:09ela busca na sua ancestralidade toda essa multiplicidade, né?
07:13Então, a gente consegue, nós temos um talento que é inato,
07:16a mulher preta tem um talento inato que é ser múltipla,
07:19senão que as outras não sejam, mas até pelo nosso recorte histórico,
07:23nós desde sempre agimos em todas as frentes, né?
07:28Uma resiliência, né?
07:29Nós fomos obrigadas a saber de um tudo.
07:33O Júlio das Pretas, ele fala muito sobre essa ancestralidade.
07:36Então, a mulher negra, quando ela vive bem,
07:38consegue compreender bem essa questão da nossa ancestralidade,
07:41ela se desenvolve bem, né?
07:43O autodesenvolvimento.
07:44E ainda assim, a gente percebe que nós também estamos numa estatística não tão legal.
07:49Nós somos as mais preteridas, né?
07:52Aí vem toda a questão do amor ter, sim, uma cor, né?
07:56Vem a questão da solidão da mulher negra,
07:59vem a questão das mulheres pretas que não são assumidas,
08:02das que são mãe solo.
08:03Você, Jéssica, como mãe solo, me conta assim,
08:06como que você percebe toda essa situação?
08:09Pra mulher preta é mais difícil se relacionar e tudo mais?
08:12Sem dúvida, né?
08:13São três linhas aqui que a gente aponta.
08:17Tanto do amor ter cor, e eu também considero que o amor tenha cor,
08:19e conceituar o amor.
08:21Se ele é um amor romântico, ou qual é o tipo de amor.
08:24E se esse amor romântico, ele atravessa a mulher negra.
08:27Como ele atravessa a mulher negra?
08:29Porque a gente vivencia a solidão.
08:32Naturalmente.
08:33Porque qual é o padrão do amor romântico?
08:35Aquele casamento, cristão, aquela vida leve, abundante, feliz e próspera.
08:40Isso se encaixa no nosso contexto histórico?
08:43Isso já tá dentro da nossa vivência?
08:47No segundo, aumenta a solidão da mulher negra,
08:49porque somos preteridas pela nossa aparência,
08:52porque o padrão de beleza é qual?
08:54Eurocentrado.
08:55Eurocentrado.
08:57Então, além disso, o fator econômico,
09:00e a gente depois fala sobre a questão da mulher no status de trabalho,
09:05geralmente as mulheres brancas estão na ponta, estão acima.
09:08Todo mundo sabe que a mulher negra tá na base laboral ali da coisa.
09:11Então, será que o homem branco e o homem preto,
09:14ou ele vai nos olhar com esse afeto, com essa compreensão,
09:19ou ele também, nessa busca de querer uma ascensão política, econômica, social,
09:24ele não vai buscar sempre uma mulher branca?
09:27Para além disso, todos os atravessamentos que o próprio homem negro sofre.
09:31Então, esse amor afrocentrado, ele não é tão romântico quanto parece,
09:34inclusive é um pouco mais difícil até,
09:36se não houver muita consciência do seu lugar, da sua história.
09:41Uma consciência de que são duas pessoas pretas que foram machucadas,
09:46são pessoas machucadas, e pessoas machucadas machucam.
09:49Então, há uma necessidade de a gente fazer um autocuidado.
09:52Autoconhecimento.
09:52Um autoconhecimento, né?
09:54Se curar, e aí a gente vai estar, e assim a gente não machuca, né?
09:59Exatamente, porque tudo versa sobre racismo estrutural.
10:02Então, a gente vive numa sociedade estruturada no racismo,
10:06então estamos condicionados a pensar dessa forma.
10:08sobre a maternidade solo, ela é maior parte para mulheres negras,
10:1490% da maternidade solo hoje é para mulheres negras,
10:17seja por contexto social, econômico,
10:22porque muitas de nós não conseguimos estudar o suficiente,
10:27muitas de nós não estamos estudando,
10:29muitas de nós não conseguimos um trabalho que não seja subutilizado,
10:34muitas de nós já fomos abandonadas por nossos parceiros,
10:37por N motivos, porque eles têm os seus atravessamentos
10:39como se nós não pudéssemos ter.
10:41E ela é mais difícil, sim.
10:43Agora eu vou centralizar na mulher, na mãe solo,
10:46porque, vou dar um exemplo básico,
10:47sou mãe do Mumu Maravilhoso, vai fazer 5 anos de idade.
10:51Hoje, eu não ensino para o meu filho sobre história, geografia,
10:54português e matemática.
10:55Eu ensino sobre história, geografia, português, matemática,
10:59sobre comportamento, sobre racismo.
11:01Eu ensino para ele sobre dores e sobre amores,
11:04eu ensino para ele, eu me desgasto ensinando sobre identidade.
11:09Meu filho é, eu passo a parte do meu tempo com ele educando
11:15sobre os traços dele, sobre a cor dele,
11:17sobre o cabelo dele,
11:20sobre como ele deve se comportar na rua,
11:21porque a maternidade solo da mãe preta é muito mais difícil,
11:24eu tenho medo do que acontece com o meu filho.
11:26O meu filho já foi atravessado pelo racismo.
11:29Mesmo tão pequeno.
11:30Mesmo tão pequeno.
11:32Ele já chegou em casa chorando,
11:34eu tive que explicar.
11:35Então, na prática, já é complexo, né?
11:38De você ter que dedicar um tempo a mais
11:40para explicar o que é um racismo para uma criança.
11:42Ela já nasceu nesse contexto.
11:45O medo da mãe, da mãe solo,
11:48quando deixa o seu filho,
11:49quando o seu filho precisa se ausentar,
11:52medo da polícia, medo dele não voltar.
11:55E o medo econômico também,
11:58porque hoje eu preciso subsistir para mim e para uma criança.
12:02E aí a gente volta no contexto da mulher preta
12:04dentro dos seus espaços de trabalho.
12:06Eu tenho que estudar muito mais,
12:08eu tenho que trabalhar muito mais
12:10para conseguir subsistir, né?
12:13Para sobreviver.
12:14Então, sim, a mulher preta,
12:16a vida da mulher preta é muito mais difícil,
12:18sim, a mãe solo principalmente.
12:20E mesmo com tantas dificuldades,
12:22a gente segue resistindo,
12:24porque afinal de contas a gente não tem outra alternativa,
12:27a gente tem que seguir.
12:28Eu gosto muito de falar que nós somos mulheres fortes
12:30e ao mesmo tempo eu temo um pouco isso,
12:33porque a gente também é frágil, né?
12:35A gente não tem que ser forte o tempo todo.
12:37A gente também quer acessos e caminhos também mais fáceis
12:40e menos dolorosos.
12:42Mas o que a gente percebe
12:44é que aquelas que conseguem furar as bolhas das estatísticas
12:48e conseguem estudar, conseguem trabalhar,
12:51concebem talvez um relacionamento saudável.
12:54O que ela encontra?
12:55Há outras mulheres ali junto com elas
12:58ou normalmente elas estão sozinhas também?
13:00É raro, né?
13:00Em todos os espaços a gente não vê as mulheres negras
13:03sendo unanimidade nem paridade.
13:06A gente vê sempre...
13:07Estamos ali ainda na dificuldade
13:10da síndrome da preta única,
13:12de ser preta única,
13:13de viver no espaço como sendo o único.
13:15Mesmo a gente sendo maioria na população.
13:16Mesmo sendo maioria na população.
13:18Quer seja porque não temos liderança,
13:21que nos coloquem ali dentro
13:24daqueles espaços,
13:26quer seja pela invisibilidade
13:28das nossas potências,
13:30da nossa multiplicidade,
13:31quer seja pelas oportunidades,
13:33porque nós não somos as primeiras.
13:35Nunca somos as primeiras a serem escolhidas
13:37por vários motivos.
13:39Então, hoje, para a gente furar uma bolha
13:41requer estratégia.
13:44Eu falo muito, assim,
13:45dentro de alguns ambientes
13:46onde eu presto algumas consultorias,
13:49a gente precisa ser muito cauteloso
13:51com raça e com gênero,
13:53porque aquela mulher preta, principalmente,
13:56que está ali naquela base,
13:57ela precisa de um tempo
13:59para se autoconhecer,
14:01para se autopromover,
14:03de uma estratégia.
14:05O que eu vou,
14:05como que eu vou me comportar aqui,
14:08como que eu vou sobreviver
14:09dentro desse espaço.
14:10Eu vou dar um exemplo muito prático,
14:11que é o meu.
14:12Eu deixo meu filho 12 horas,
14:14eu fico longe do meu filho 12 horas,
14:16eu deixo ele na escola 7 horas da manhã,
14:17ele fica numa cuidadora
14:18até 7 horas da noite.
14:20Dentro desse espaço,
14:21é o espaço que eu tenho
14:22para trabalhar,
14:24para me desenvolver,
14:25para me destacar
14:29dentro dos meus relacionamentos
14:33de trabalho,
14:34dentro da minha relação de trabalho.
14:35Depois desse prazo,
14:36eu tenho para me dedicar
14:37para o meu filho.
14:39E meu filho dorme por volta,
14:40eu sempre falo,
14:40conta essa história,
14:41ele dorme por volta
14:41de 8h30,
14:429h da noite.
14:43Eu vou até uma hora da manhã
14:44estudando,
14:45trabalhando e peticionando,
14:47para poder angariar conhecimento,
14:49para chegar numa mesa,
14:51poder falar de igual para igual,
14:52para poder ter uma fala ativa
14:54dentro de qualquer ambiente.
14:56Para poder ser ouvida.
14:57Para poder ser ouvida,
14:58para dizer que eu tenho potencial,
15:00para dizer que eu tenho estrutura
15:02intelectual,
15:03para ocupar os lugares que ocupo.
15:06Hoje eu me considero
15:07uma pessoa feliz e satisfeita,
15:08não é por questão financeira,
15:11é por ter conseguido realmente
15:13alcançar alguns lugares
15:14e fico muito triste
15:16porque muitas vezes
15:17sou a única daqueles espaços.
15:20Só existem caminhos abertos
15:21com estratégia.
15:22Com estratégia.
15:23Eu acho que,
15:25para além dessas estratégias,
15:26eu acho que aqui
15:27a gente citou algumas estratégias
15:29que a gente tem,
15:30do aquilombamento,
15:31buscar outras mulheres
15:33para poder estar junto com você
15:36nesses espaços,
15:37furar a bolha
15:39e não ter medo,
15:41não acreditar
15:42no que as outras pessoas dizem,
15:45acreditar em você
15:46e ir para os espaços de poder.
15:48E para isso,
15:49estratégia é o quê?
15:50Estudar, correr atrás,
15:52não tem jeito.
15:52Fortalecer a autoestima, né?
15:54Fortalecer essa autoestima.
15:55E o cuidado de saúde mental,
15:56que a gente se perde, né?
15:58Sim, o cuidado de saúde mental,
15:59minha piscina está em dia hoje.
16:01Amém?
16:02E assim como eu perguntei
16:03para a Raia,
16:04Jéssica,
16:04eu também te pergunto,
16:05qual é o lugar da mulher negra
16:07hoje para você?
16:09Olha,
16:10eu vou falar pessoalmente mesmo,
16:12realmente em qualquer lugar,
16:14lugar que ela quiser
16:15e onde ela precisar,
16:16qual é a necessidade.
16:17eu necessito visitar
16:20a minha ancestralidade,
16:21eu necessito visitar
16:22e permear a minha espiritualidade,
16:24eu preciso estar
16:25nos meus espaços de cultura,
16:27nos meus territórios de cultura,
16:29para lembrar quem eu sou,
16:30para ter força,
16:31para sonhar com quem quero ser.
16:33Então,
16:33realmente em todos os lugares,
16:35não tem como,
16:36preciso me divertir,
16:37eu preciso trabalhar,
16:38eu preciso sobreviver,
16:39e o que a gente entende
16:40por sobrevivência?
16:42É tentar descansar,
16:43então eu preciso estar
16:44em todos os lugares mesmo.
16:45É isso.
16:46Meninas,
16:46olha,
16:47eu agradeço demais aqui
16:48a participação de vocês
16:50no Preta Pod,
16:51muito sucesso para vocês,
16:53obrigada pela troca.
16:54Aca-se!
16:56Uh-huh.
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