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  • há 4 semanas
Lula x Flávio Bolsonaro: Por que a economia melhora, mas a popularidade do governo não cresce?

No programa Ponto de Vista, com Marcela Rahal, o cientista político Marco Antônio Teixeira (FGV) e o colunista Robson Bonin analisam o "curto-circuito" na comunicação do governo Lula. Apesar dos dados positivos de emprego e renda, o Planalto não consegue converter indicadores econômicos em aprovação digital ou eleitoral.

O debate foca na ascensão de Flávio Bolsonaro, interpretada não como uma vitória pessoal, mas como um "voto de negação" ao petismo. Além disso, os especialistas questionam a viabilidade de Ronaldo Caiado como "renovação", lembrando que sua trajetória é tão antiga quanto a de Lula, o que mantém o Brasil preso a um embate de décadas atrás.

"O crescimento do Flávio é muito mais uma negação ao Lula e ao PT do que méritos do próprio senador", avalia Marco Antônio Teixeira.

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Transcrição
00:00Agora, professor, por que a gente está, voltando aqui ao tema das pesquisas,
00:04a gente tem visto esse avanço do Flávio, que todo mundo até se surpreendeu
00:08em relação a esse crescimento dele.
00:10O que o governo está esperando para reagir?
00:13Ou, eles estão esperando ali o prazo, mas assim, não está muito atrás já
00:20do que o Flávio está fazendo?
00:23Olha, eu vou pegar carona com o que o Boninho disse.
00:26Se a gente pega os dados de desemprego, são os melhores dados que o país tem
00:31nos últimos anos, ou seja, o desemprego muito baixo.
00:34Se nós olharmos a renda, não há uma perda de renda generalizada,
00:40mas o que acontece? O governo não consegue convencer ninguém.
00:44Tem aí um problema de comunicação e de convencimento que talvez o governo
00:49não está conseguindo superar. E mais do que isso, os escândalos de corrupção
00:53que afetam toda a classe política, está sendo muito mais precificado
01:02no governo do que nos seus adversários.
01:04E o governo também não consegue fazer algum tipo de comunicação que fala
01:09olha, o problema existe, mas também está com outro lado.
01:13Então, talvez, na balança, o custo negativo é muito maior do que os positivos
01:20que o governo tem a apresentar. Então, tem que, de certa forma, verificar
01:24se há estratégia suficiente. Agora, temos que lembrar também, Marcela,
01:30que o Lula, desde a década, desde 1978, concorreu a praticamente todas as eleições.
01:37Ele ficou aí preterido quando a Dilma foi candidata e quando esteve
01:41cumprindo pena de prisão. Então, há um certo cansaço também.
01:46Há uma incapacidade do PT de se renovar, de produzir lideranças novas.
01:51E, ao mesmo tempo, também, a própria oposição só encontrou um sobrenome,
01:59aliás, só encontrou num sobrenome já existente, uma candidatura viável,
02:04talvez justamente como contraponto ao próprio PT.
02:07A leitura que eu faço é que esse crescimento do Jair Bolsonaro é muito mais
02:12uma negação ao Lula, uma negação ao PT, do que méritos do próprio Flávio Bolsonaro.
02:19Este, sim, é o lado negativo da polarização. Quando você começa a escolher
02:24muito mais pelos defeitos de quem está no poder do que pelos méritos
02:29de quem está chegando ao poder. Então, estamos numa eleição absolutamente
02:35difícil de se prever, mas também sem espaço concreto para uma terceira via
02:41que possa se colocar como alternativa. Nesse aspecto, aí talvez houve um erro
02:46de leitura do PSD e do próprio Kassab. Talvez o Eduardo Leite tivesse
02:51muito mais a apresentar do que o Ronaldo Caiado. E por que eu falo isso?
02:56Porque o Caiado entrou na política quando o Lula entrou. Os dois concorreram
02:59na primeira eleição presidencial pós-regime militar em 1989. E já foram
03:05adversários, digamos assim, extremos. O Lula ali com apoio do MST e o Caiado
03:11defendendo a UDR. E, obviamente, se nós estamos falando do Lula com 80 anos,
03:1780 e poucos, o Caiado tem quatro anos a menos só. Então, a ideia do Caiado
03:24como renovação também é muito frágil. Então, dificilmente nós vamos ter um
03:29processo eleitoral propositivo, um projeto de país que seja fundado no debate
03:34de ideias. Vai ser bolsonarismo, petismo, bolsonarismo ou lulismo, infelizmente.
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